Expedição participa da inauguração do novo site da Stella Barros Turismo

Interação. Esse foi o tema mais comentado na inauguração do novo site da Stella Barros, que aconteceu dia 05/05 em São Paulo, com a presença de viajantes e profissionais de turismo de vários cantos do Brasil. Confesso que foi uma grande surpresa receber o convite para participar do evento através desse humilde blog, até porque nunca fui defensor das agências de viagens e dessa forma de viajar. Mais tarde entendi que se tratava de uma estratégia da empresa em convidar blogueiros para tentar se enturmar com as novas tendências da Internet, especialmente aquelas voltadas à Web 2.0.
De fato, o novo site da Stella Barros é um pontapé ainda meio tímido nessa área, mas que já oferece aos usuários um canal participativo dentro do seu portal com o Blog da Stella Barros, administrado com muita competência pela jornalista Patrícia Belloti. Outro serviço bacana inaugurado foi a implantação de um sistema que compara preços de passagens áreas entre as principais companhias nacionais. Apesar de sites como Submarino e Buscapé já terem lançados sistemas semelhantes, a Stella Barros tem tudo para se tornar referência nesse serviço por ser uma marca com história e maior credibilidade dentro do turismo brasileiro.
A mudança mais ousada no site foi a inclusão de um processo de e-commerce para os pacotes turísticos, oferecendo vendas on-line sem o intermédio do agente de viagens. Só achei a divulgação dos pacotes turísticos muito fraca. Por se tratar de produtos que precisam encantar os olhos do usuário e fazer com que ele viaje antes mesmo de ter reservado algum pacote, faltou mais informações e conteúdo multimídia sobre os destinos oferecidos. Uma boa idéia levantada no evento para futuras adequações no site é a exibição de opiniões, comentários e dicas dos clientes que já viajaram por esses pacotes, mostrando transparência e preocupação com o usuário.
Se no site a interação ainda deixa a desejar, durante o evento o que não faltou foi troca de experiências e conversas interessantes com os convidados. Pude conhecer blogueiros de várias regiões do país como o Maurício Furmiga de Sampa, contando sobre sua aventura em Cuba e no Haiti; a Fê Costta de Belo Horizonte no comando do Viaggio Mondo, o Anderson de Natal com seu Blogando Turismo e os gaúchos destemperados Diego e Diogo. Pena ter faltado tempo para conversar mais a fundo com outros blogueiros presentes. Com certeza, irão surgir outras oportunidades. Quando alguém vier para Curitiba, não deixem de dar um toque. No mais, desejo um grande abraço a todos os envolvidos no evento e que a Stella Barros tenha sucesso nessa nova fase na Internet!
* Quem tiver alguma foto bacana do evento me dêem um toque que publico aqui com os merecidos créditos.
Escrito por Jeferson Jess às 02h13
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Na Natureza Selvagem

Quando estamos em cima do muro para tomar uma grande decisão, observamos os acontecimentos em nossa volta para tentar encontrar algo ou alguém que ajude-nos a escolher um lado e pular com segurança. Ontem, conversando com um amigo determinado a deixar tudo para trás e tentar a sorte em algum canto do planeta, meio sem rumo e sem objetivo, recebi dele a sugestão de conferir o filme “Na Natureza Selvagem”, com roteiro adaptado da obra literária de Jon Krakauer. Perguntei se o filme era triste ou alegre, e ele me garantiu que de um certo modo traria mais felicidade do que tristeza.
Hoje, sob um frio londrino acompanhado por uma fina garoa, fiz questão de ir sozinho a pé até o cinema e assistir o filme recomendado. Diante dos comentários do meu amigo, imaginava ser um road movie empolgante ou romântico, que pudesse me contagiar na busca de novas histórias de acostamento e tomar atitudes sem tanta preocupação com o futuro das coisas.
Contrariando minha expectativa, “Na Natureza Selvagem” é um filme comovente e triste, que conta a história do jovem Christopher McCandless em busca de um propósito não muito bem definido de viver uma experiência autêntica de autodescoberta no meio do Alaska. O personagem se afasta voluntariamente do convívio em sociedade, trocando a humanidade pela natureza somente para ser derrotado impiedosamente por esta.
A intenção do filme não é mostrar McCandless como um herói contemporâneo ou exemplo de atitude para jovens revoltados contra a sociedade e o sistema. É apenas o relato de uma experiência de vida real, que mostra tanto o lado gentil e corajoso da pessoa, quanto sua faceta mais cruel e egoísta. Lamentavelmente, seu rancor desmedido pelo próprio passado (que soa como uma crise imatura diante dos problemas reais e gigantescos enfrentados por tantas outras pessoas) acaba tornando-o cego para o que há de bom em sua vida, transformando-o num jovem que leva tudo excessivamente a sério e sem criar raízes onde quer que seja.
Felizmente, a história de McCandless apresenta-nos duas importantes lições para a vida, que ajudaram a reforçar meus valores antes de eu tomar qualquer decisão precipitada. A primeira, é que para descobrir o verdadeiro sentido da vida, uma pessoa tem buscar a resposta por conta própria e que talvez a melhor forma de descobrir isso seja viajando sozinho, guiado apenas pelo seu instinto. Já a segunda, embora McCandless inicialmente pregasse que a felicidade não pode ser encontrada nas relações humanas, toda a trama do filme e o próprio personagem no final demonstram que este tão desejado estado de espírito só é real quando compartilhado com outras pessoas.
Escrito por Jeferson Jess às 23h52
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Aos 102 anos, morre Albert Hofmann, químico pai do LSD

Há mais de 100 anos nascia na pequena cidade chamada Baden, localizada na Suíça, uma pessoa que viria a se tornar um dos maiores químicos dos nossos tempos. Albert Hofmann, irmão mais velho de outros três, logo cedo despontou grande interesse pelos estudos. Formou-se em Química na universidade de Zurich e, com um doutorado, foi empregado no Laboratório de Pesquisas Química e Farmacêutica Sandoz. A partir daí, inicia-se a história do cientista, químico e pesquisador de plantas e fungos medicinais que buscava extrair e sintetizar suas substâncias psicoativas.
Em 1938, Hofmann isola um dos componentes básicos e essenciais para todas as outras substâncias alcalóides terapêuticas da época: o Ácido Lisérgico. Fez experiências com várias outras substâncias que acabaram derivando estimulantes para respiração e circulação do corpo. Um desses estimulantes acabou por ser o LSD-25 (ácido lisérgico dietilamida – 25). Mas por ter obtido resultados ainda pouco significativos, os farmacêuticos logo perderam o interesse e deixaram de lado a continuidade e a remuneração das pesquisas.
Cinco anos mais tarde, tomado por um “pressentimento”, Albert Hofmann retoma as pesquisas com o LSD-25 no dia 16 de Abril de 1943, e durante uma de suas experiências de auto-ingestão percebe sensações um tanto quanto diferentes. “Quando cheguei em casa deitei e afundei em uma condição de intoxicação muito agradável, caracterizado por uma imaginação extremamente estimulante. Em um estado de sonho-acordado com os olhos fechados, eu percebi uma série ininterrupta de figuras fantásticas, extraordinárias formas de muita intensidade, caleidoscópicos jogos de cores. Vontade de rir. Depois de mais ou menos 2 horas essa condição havia enfraquecido”, conta Hofmann em um de seus artigos na época.
Assim, Dr. Albert Hofmann descobria acidentalmente o que viria a se tornar uma das substâncias psicoativas de maior poder conhecido pelo homem. Três dias depois, em 19 de Abril de 1943, Hofmann se prepara para a primeira experiência científica baseada em uma dose de 250 microgramas de LSD-25. Descobre então toda a intensidade e poder alucinógeno da substância. Este dia ficou conhecido como Dia da Bicicleta, pois após tomar a dose de LSD, Hofmann foi pra casa de bicicleta sob os efeitos da substância. Esta foi a primeira "viajem" de LSD da história, homenageada até hoje com a estampa da bicicletinha em muitos ácidos na forma de micro-ponto. Desde então a vida de Dr. Albert Hofmann se funde e realiza com a história do LSD.
Não demorou para que a substância e seus efeitos fossem conhecidos pela sociedade. Devido ao fato de produzir uma reação, principalmente na mente, abrindo novas “janelas” ou “portas” da percepção, seu uso foi principalmente como uma “droga” para curtição e também para experiências pessoais. O uso da substância caiu nas graças de escritores, jornalistas, hippies, jovens atônitos por um novo estilo de vida, artistas e personalidades que agora tinham um novo meio de expandir a consciência ou alcançar um nível espiritual mais elevado ou mesmo ficar muito louco e “viajar”. Mas de fato, a nova droga surgia como um meio representativo para os novos padrões da sociedade. Pessoas do Ocidente buscavam modos alternativos de viver, inspirações no Oriente e no espiritualismo. Cansados da hipocrisia do governo e das pessoas, das imposições do Sistema, surgiam os Beatniks e mais tarde os Hippies, os Punks, os Grunges e etc., formando suas próprias comunidades e estilos de vida que perduram até hoje.
É esse modo, alternativo de ver a realidade, de buscar outra verdade, que Hofmann acreditava que o LSD poderia contribuir para as pessoas, ou mesmo transformá-las. “A crença unilateral na visão científica sobre a Vida é baseado em um engano de longos anos. Certamente tudo o que ela contém é real, porém isto representa somente uma parte da realidade; somente o que é material, quantificável. O LSD abre uma fenda na mente para todas as dimensões espirituais que não podem ser explicadas pelos termos físicos e químicos e é exatamente isso que o inclui como uma importante substância, pois age na característica mais importante de toda forma de vida”.
Porém, quando a droga começou a ser usada por estas pessoas que exigiam revolução e batiam de frente com o sistema da época, o governo americano resolveu criminalizar o uso de LSD a partir de 1968, alegando que a droga corromperia a sociedade, marginalizando jovens despreparados. Mesmo com a luta de Hofmann para que a substância fosse legalizada, os EUA apoiados pelo restante da população não tiveram dificuldades em aprovar o projeto que dita as regras em boa parte do mundo até hoje
Albert Hofmann morreu de ataque cardíaco, aos 102 anos, em sua casa na Suíça.
Escrito por Jeferson Jess às 11h45
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Despedida em Cajaíba

Faltavam apenas dois dias para o reveillon. Já tinha planejado ir para o Rio de Janeiro encontrar uns amigos e passar a virada com eles na praia de Copacabana. Mas no meu último dia em Cajaíba, fui contagiado por uma autêntica roda de samba à beira-mar até ser fisgado por uma sereia de São Paulo que visitava o paraíso pela primeira vez. Depois de descansarmos um pouco na barraca, ficamos na praia até o amanhecer, esperando o sol nascer no horizonte do mar. Já devia estar com minhas coisas prontas para ir embora. Mas antes eu tinha a difícil missão de avisar a bela moça que partiria em poucos minutos... Terminava ali mais um romance de estrada, intenso, curto, descompromissado, mas que lembramos para sempre. Talvez por que surgem em lugares especiais, com pessoas especiais, sob uma atmosfera mágica carregada de desejos e sonhos. Mais uma vez, parti desnorteado, com pensamentos confusos, em busca de uma explicação para os mistérios do acaso. No barco em direção a Paraty, me sentia como eu pirata exilado, fugindo de mim mesmo, após ter desbravado e deixado um pequeno tesouro em Cajaíba.
Escrito por Jeferson Jess às 00h33
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Encruzilhadas da vida

Sempre acreditei na existência de uma força superior, num poder misterioso, talvez divino que paira sobre nós, iluminando caminhos e obstáculos para identificarmos o significado transcendental das coisas, para que possamos escolher e traçar nosso próprio destino. Essa energia mística está para atender as pessoas de bem e ajudá-las a conquistarem seus desejos e sonhos, desde que você demonstre merecê-los de alguma forma. Já obtive inúmeras provas da minha crença, por tudo que já fiz e realizei, mas, por causa dessa certeza, muitas vezes deixei de agradecer ou retribuir essa confiança lá de cima.
Dois meses atrás, já prevendo uma situação que deixaria meus dias mais nublados, fiz um pedido de compensação para buscar algo que sempre almejei, uma mudança de todos os sentidos, uma vontade instintiva de recomeçar do zero, com a mente e o corpo em harmonia num novo espaço. Rapidamente as forças ocultas conspiraram ao meu favor, deixando meu trampo cada vez mais indiferente e os sentimentos cotidianos desinteressantes. Até chegar a hora de tomar uma atitude, meus dias se arrastavam de forma estranha, sem grandes emoções ou surpresa. Para amenizar o descaso comigo mesmo, procurava refúgio nas badalações da noite, que quase sempre confirmava minha convicção de partir para o desconhecido.
Quando se aproximamos de um pedido desejado, as forças sobrenaturais nos impõem uma prova de fogo! Na dúvida de uma escolha incerta, que poderia trazer decepções ao invés de realizações, sou apresentado a um caminho oposto, tão fascinante e arriscado quanto aquele rezado. De repente, o trabalho passa a ter um futuro promissor, você conhece pessoas especiais, ressurgem sentimentos intensos e verdadeiros. Deslumbram-se outros cenários que nos atiçam a experimentar, a dar uma chance para nós mesmos. Os riscos de ir adiante são os mesmos para qualquer lado. Mas nessa encruzilhada, só podemos escolher uma direção.
Escrito por Jeferson Jess às 01h49
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Praia da Sumaca - Paraty

Deserta, areia fina, com vários coqueiros entre a vegetação nativa. O nome da praia foi dado depois que uma Sumaca - barco a vela utilizada para transporte de pessoas e carga - ali naufragou, deixando destroços pela praia. Possui um pequeno riacho de água potável nas proximidades. É uma das praias mais difíceis de alcançar, pois nem sempre é possível via barco por causa do mar aberto e agitado. Geralmente os barqueiros deixam os visitantes no Saco Claro, antes de atravessar a Ponta da Joatinga, obrigando a galera a fazer um trilhazinha de 40 minutos. Quem sai do Pouso a pé, segue em direção a Martim de Sá e lá em cima do morro entra na bifurcação à esquerda. A brincadeira dura umas duas horas, mas sempre recompensada pelo visual das alturas, premiada no final com um barzinho aberto na temporada, oferecendo alguns petiscos e cerveja gelada. Se for surfista e tiver um bom preparo físico, leve a prancha para aproveitar as melhores ondas da região...
Escrito por Jeferson Jess às 12h40
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Martim de Sá - Paraty

Continuando o post anterior, seguimos com as vertigens da região de Cajaíba em direção ao sul, alcançáveis por trilha que atravessa o vale sagrado no caminho para Martim de Sá. A subida até a passagem da montanha é desgastante e abafada pela falta de vento. Na trilha, a presença de muitos aventureiros com mochilas cargueiras e pranchas indicavam a esperança de ondas perfeitas do outro lado da montanha. Ao iniciar a descida, a vegetação antes seca e retorcida nos costões de Cajaíba, agora dava lugar a uma majestosa floresta úmida e densa. O vento que voltava a soprar trazia umidade do oceano, atingindo apenas um lado da montanha. Durante a passagem existe uma bifurcação da trilha para a praia da Sumaca, com uma enfática placa dizendo que lá vendia-se bebida alcoólica. Mas em Martim de Sá não! Deixei Sumaca para um outro dia e parti reto para descobrir o porque daquela restrição.

Por causa de matérias e reportagens sobre a praia, sempre entendi que Martim de Sá era habitada por apenas um morador, o famoso Maneco. Imaginava uma residência rústica, no meio da floresta, sem nenhuma regalia da civilização. Ao chegar lá, vi uma casa de alvenaria com restaurante anexo, quiosque de petiscos, área de camping lotada de barracas, tudo monopolizado pelo seu Maneco e família, que cuidam da praia, mas também não deixam ninguém ser vizinho por ali. Sobre a não venda de bebidas alcoólicas, seu Maneco diz que é para evitar confusão. “As pessoas começam a fazer bagunça de madrugada, perdem a educação, o respeito. Aqui é um lugar de tranqüilidade, para quem quer curtir apenas a natureza”. Mesmo assim, para os desavisados que trazem bebidas de casa, seu Maneco permite que seja consumida apenas na praia, longe do camping. Agora, se o visitante sair para comprar bebida no Pouso, uma placa bem na entrada da casa ameaça: “Nunca mais”!
Escrito por Jeferson Jess às 22h27
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