Mangue Seco Molhado

Não há quem não lembre da novela da Globo, baseada no romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado. A locação em Mangue Seco transformou, mas não mudou o cotidiano do rústico vilarejo, com suas ruas de areia e sem iluminação. A praia semi-deserta tem ondas fortes, restingas, manguezais e muitos coqueiros. Por causa das chuvas nesta época do ano, o mangue deixou de ser seco, formando um bonito alagado entre as dunas. Montanhas de areias em constante movimento que engolem os coqueirais e ameaçam as construções dos vilarejos.
Umas das moradoras mais antigas do local é dona Vanda, que mora há 26 anos no mangue. Já fez um pouco de tudo na vida, até participou de cinco cenas na novela. “Eu fazia uma lavadeira, que trabalhava no manguezal”. Agora ela passa o dia descansando na sombra de uma barraca, onde aluga pranchas de sandboard para os turistas, cobrando um real por descida. “Nas descidas mais íngremes não deixo mais ninguém descer, por causa dos coqueiros. Quando a prancha pega embalo, ninguém segura”.
Assim é Mangue Seco, lugar de rara beleza, onde você pode pegar cocos diretos do pé que estão por cima das dunas e descansar contemplando o espetáculo da natureza. Só um detalhe: se não quiser se lambuzar tomando coco, leve um canudinho!
Escrito por Jeferson Jess �s 19h31
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Agradecimentos

- Restaurante e Pousada Fantasias do Agreste – Mangue Seco - BA
Onde a recepcionista (esqueci o nome) gentilmente me convidou para almoçar. Valeu!
Telefone: (75) 445-9011 / 445-7011
www.fantasiasdoagreste.com.br
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- Hotel Pousada Ecológica Pontal – Pontal - SE
Desconto com o piloteiro do barco de Mangue Seco para Pontal
Telefone: (79) 3543-7145 / 9986-8757
*********

- Pousada dos Corais – Aracaju - SE
Cortesia de uma diária. Valeu!
Telefone: (79) 3243-2827 / 3243-4956 / 9191-9773
Rua Francisco Rabelo Neto, 904 – Bairro Atalaia
Escrito por Jeferson Jess �s 19h04
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Caronas de um fim de tarde

Chegar à terra de Tieta de carona não é nada fácil. Da vila do Diogo foram quase 1h30 de espera no acostamento da Linha Verde até aparecer alguém de boa alma para me levar apenas uns quilômetros adiante, no posto da Polícia Rodoviária. Estava escurecendo mas com a ajuda dos guardinhas, não iria ficar muito tempo ali parado. De repente, uma chuva sem avisar obrigou os policiais a se recolherem, encerrando o expediente daquele dia. Corri para a guarita que fica na entrada da Costa do Sauípe para me proteger da chuva. Caiu a noite e com ela veio o cansaço e a fome. Do complexo frequentemente sai ônibus que levam os funcionários para um local chamado de Porto Sauípe, vilarejo onde a maioria é morador. Era o único meio de transporte do horário. Caso desistisse teria que dormir lá em algum canto, pois onde estava não havia nada além da entrada do hotel e do posto dos guardas.
A chuva deu uma trégua e voltei pro asfalto. Logo em seguida, como um milagre de Deus, um táxi que tinha feito a corrida de Aracaju para Salvador voltava sozinho e resolve parar. Expliquei minha situação dramática para o motorista Manuel Fernandes que prontamente foi atendida com uma carona até o trevo para Pontal, já no estado de Sergipe, onde saem as lanchas para Mangue Seco. O entroncamento que iria descer era um breu só, mas seguindo a maré da sorte, no mesmo momento que chegávamos ali, um carro cruzava a rodovia sentido Pontal. Manual abaixou vidro do carro e berrou para que o carro esperasse. Naquela situação maluca consegui engatar outra carona, agora com um casal da região, mas que não iam para Pontal e sim à um lugar chamado Terra Caída!
Eu não fazia a mínima idéia onde ficava tal vila de nome estranho. Porém, não tinha escolha. Ficar naquele trevo, no meio da escuridão seria um grande risco de vida. Seu Adil, o motorista, me explicou que de Terra Caída também existia lancha para Mangue Seco, mas com trajeto pouco mais longo do que Pontal. Chegando na vila, descubro um casal de turistas que já tinham acertado uma lancha para a manhã seguinte. Acampei no quintal de uma pousada e no outro dia bem cedo já estava em Mangue Seco.
Legenda: Carona numa caminhonete até o posto da Polícia Rodoviária
Escrito por Jeferson Jess �s 18h00
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Um gonzo na Costa do Sauípe

Abandonei a Praia do Forte pegando uma carona gentilmente oferecida por Paulo Limoncic, responsável pelo Albergue da Juventude do local, pessoa da mais alta consideração que tive o prazer de conhecer. Antes de cair na estrada, passamos nas ruínas do Castelo Garcia d´Ávilla, construído em 1551, época da antiga residência e sede da sesmaria do português, cuja propriedade abrangia mais de 800 mil quilômetros quadrados, indo de Salvador até o Maranhão. Garcia d´Ávilla era criado do expedicionário Tomé de Souza, que visitou o Brasil em 1549. Com o desmembramento da família no meio do século XIX, o castelo ficou por muito tempo abandonado, restando apenas suas enormes paredes de pedra que denunciam a arquitetura medieval. Atualmente está preservado por conta de uma fundação, criada pelo visionário Klaus Peter, o “paínho” da Praia do Forte. Das suas janelas é possível ver as piscinas naturais da praia, pois está instalado no ponto mais alto do litoral entre Salvador e Aracaju.
*****
Pedi para o Paulo me deixar na vila do Diogo, de onde seguiria a pé até a praia de Santo Antônio, um pequeno vilarejo de pescadores, com acesso pelas bonitas dunas de areia branca. O plano de estar ali, naquele lugar isolado e desconhecido, era uma tentativa de conhecer o complexo da Costa do Sauípe, famoso pela sua enorme estrutura turística voltada para viajantes abonados do mundo todo. Diante da minha situação financeira, só teria uma chance; entrar pela praia. Em meia hora de pernada, cruzo com vários gringos desfilando suas barrigas brancas e flácidas, assediados por alguns poucos vendedores de artesanato. A praia do Sauípe é de tombo, com mar bravo, deserta e repleta de coqueiros. Por isso a maioria que circula ali é hospedes dos resorts.
A Costa do Sauípe é um complexo de cinco resorts e algumas pousadas, que são interligadas por passarelas e trilhas pavimentadas de cimento e tábuas de madeira. Todos os resorts têm saídas para a praia controladas por seguranças e pelo velho esquema da fitinha colorida no braço. Continuei a caminhar até passar as duas primeiras entradas. Na terceira, desguarnecida, entrei tranquilamente no complexo. Estava agora nas passarelas e trilhas que acompanham a praia e um banhado interno. Nessa parte um segurança ficava perambulando enquanto que nas duas pontas principais do complexo ficavam homens fixos. Muito pouco para o tamanho do lugar. Ao contrário do Eco-Resort Praia do Forte, que mantém os 500 funcionários trabalhando o ano todo, no Sauípe é normal cortarem pessoal na baixa estação. Se tratando de uma praia deserta, talvez achem que ninguém tem coragem de entrar por esse lado...
Foi realmente muito fácil driblar os vigias. Quando me dei conta já estava tomando sol no SuperClubs (resort de maior movimento do complexo), na beira da piscina, conversando com os poucos brasileiros ali instalados. A maioria eram visitantes “Day Use”, que dá o direito de passar o dia, usufruindo da estrutura e alimentação do local. Mesmo eu não tendo a bendita fitinha, usava uma parecida do Senhor do Bonfim que confundia os mais desconfiados até certa distância. Era hora do almoço que estava sendo servido ali mesmo ao lado das piscinas. Entrei na fila de bobeira e fiz um prato monstruoso. Além da comida, podia escolher suco ou refrigerante. Depois do rango pensei em cair na piscina e pedir um drink, mas estava com o estômago muito cheio. Dei-me por satisfeito e fui dar uma volta pelo complexo. Passei no clube do tênis, onde é realizado o Brasil Open, cumprimentava todos os funcionários, mexia com as meninas das lojinhas de souvenir, ou seja, circulava sossegado, sempre fazendo uma cara de gringo para despistar. Gostei muito do Sauípe, com certeza voltarei novamente. Pela praia é claro!
Escrito por Jeferson Jess �s 17h07
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Albergue Praia do Forte

O hostel da Praia do Forte foi construído em 1998, cumprindo todo o manual da rede Hostelling International. Por isso oferece serviços diferenciados e com qualidade, além de uma estrutura invejável de descanso para o alberguista, com redes, mesas e cadeiras espalhadas por uma grande varanda central. De localização privilegiada, praticamente ao lado da rua principal entre bares e restaurantes, o albergue também é ponto de encontro da galera mais jovem. Muita gente de fora procura o hostel para usar a internet de banda larga e a máquina automática de lavar roupas, que ao contrário do restante da vila, possui preços mais acessíveis.
Serviço:
Rua da Aurora, 03 – Praia do Forte – BA
atendimento@albergue.com.br / www.albergue.com.br
Telefone: (71) 3676-1094
Escrito por Jeferson Jess �s 18h20
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Praia do Forte - turismo planejado!
Praia do Forte, distrito de Mata de São João, é a mais agitada e badalada praia da linha verde baiana. Sua vila turística organizada, o complexo de pousadas e condomínios, as piscinas naturais e outros diversos atrativos para o visitante, transformaram o Forte num destino bem estruturado e charmoso. Porém, todas essas qualidades mexem no custo de vida local, encarecido pela presença de estrangeiros e turistas de alto padrão.
Paulo Limoncic, responsável pelo Albergue Praia do Forte, conta que antigamente toda a região era uma extensa fazenda do descendente de alemão Klaus Peter, fundador do Eco-Resort Praia do Forte, um dos pioneiros do gênero no país. Sua visão de integração com fez com que doasse algumas áreas para a comunidade de pescadores que viviam ali, exigindo algumas regras como a ausência de muros nas casas e proibição da venda para terceiros. E é claro, faturou também muito dinheiro vendendo terrenos para condomínios de luxo, que se espalham cada vez mais.
Em 1980 começou a surgir um trabalho na Praia do Forte para estudar e proteger as tartarugas marinhas. Era o Projeto Tamar, que atualmente possui várias sub-sedes pelo litoral brasileiro, com patrocínio vultuoso da Petrobrás. A sede principal virou uma grande atração turística, levantando de vez a bandeira ecológica do local como chamariz para outros tipos de viajantes. De uma praia conhecida por jovens, passou a ser freqüentada mais por famílias e ecoturistas. Mesmo com o importante marketing em torno da prevenção do lugar, a urbanização das principais ruas trouxe vida para restaurantes e bares, tornando famosa sua vida noturna. Os pescadores passaram a alugar suas casas para o comércio, vivendo também do turismo.
Infelizmente, durante a passagem da expedição, uma frente fria (na Bahia, vê se pode!) acabou deixando chuva e o mar revolto. Onde antes eram piscinas cristalinas com turistas mergulhando, agora só se viam ondas escuras remexidas com meia dúzia de nativos surfando. E a previsão para os próximos dias não é das melhores...
Escrito por Jeferson Jess �s 18h01
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Os hippies de Arembepe

Nos anos 60, quando praticamente toda a linha verde da Bahia era desabitada, a aldeia hippie de Arembepe (a 47 km de Salvador), representava todo o sonho de liberdade e do lema paz e amor da contracultura daquela época. Instalada num lugar paradisíaco, nas dunas carregadas de coqueiros entre o Rio Capivari e o mar, Arembepe se tornou mundialmente famosa com a visita de cantora Janis Joplin em 1970.
Será quem pleno ano de 2006, depois da decadência do movimento hippie e da urbanização do litoral brasileiro, a aldeia ainda resiste ao processo corrosivo da sociedade moderna? Para meu espanto ela continua viva e interessante. As cabanas ainda são construídas de palha, não há energia elétrica, nem telefone fixo. Claro que a região em torno da aldeia mudou muito. A vila de Arembepe, que pertence ao município de Camaçari, praticamente não existia 30 anos atrás. Hoje é quase uma cidade, com pousadas e bastante comércio, distante apenas um quilômetro da aldeia.
A proximidade da cidade trás a tentação da modernidade para o reduto hippie, tanto que a aldeia acabou se espalhando. Nas dunas, apenas 20 famílias mantêm os velhos hábitos de banho no rio e luz do céu de lua. Os que acabaram saindo, principalmente famílias com crianças, foram para uma área invadida no outro lado do rio, encostada na cidade, onde conseguiram água e luz elétrica.
Por causa da fama do passado, a aldeia hippie é muito procurada por turistas alternativos, principalmente estrangeiros. Lá dentro, existem áreas de camping e até uma pousada. Tudo muito rústico, feito de palha, mas com chão de alvenaria. Para o melhor conforto de um morador, havia uma placa de energia solar em cima da cabana. Era usada para assistir televisão à noite. Mesmo sem telefone, o celular ali (pelo menos da TIM) estava com sinal máximo! Viva a tecnologia.
Os hippies, sempre defensores dos princípios ecológicos e naturebas, apresentam contradições na prática cotidiana. A aldeia é realmente muito bonita e preservada, mas quase ninguém ali anda descalço na areia. “Bicho de pé, bicho geográfico, tem de tudo aqui”, disse o hippie Damião. Perguntei como eram feitas as necessidades de cada um, imaginando existir um canto coletivo para a comunidade. “Nós somos contra esse negócio de fossa, pois contamina o lençol freático. Cada um faz onde quiser, atrás da moita, sempre em lugar diferente, daí a própria areia se encarrega de dar um jeito”, explicou Damião. Com alguns gatos, cachorros e galinhas que vi circulando pela área, fuçando os cocos dos hippies, bicho de pé é natureba.
Legenda: Manifestação da aldeia hippie durante o Dia Mundial do Meio Ambiente, promovendo uma passeata de crianças e mulheres até a Vila de Arembepe. Além de cantos ecológicos e vestimentas feitas de material reciclado, os hippies carregavam bandeiras e placas com mensagens de apoio à natureza.
Escrito por Jeferson Jess �s 17h11
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Hostel Barra - Salvador

Ao se hospedar no Hostel Barra, além de desfrutar de toda a beleza de um dos maiores cartões postais do Brasil, o visitante conta ainda com a comodidade de estar num ponto central da cidade, com acesso fácil aos maiores pontos turísticos de Salvador. Segundo a sócia-proprietária Alessandra Guimarães, o albergue da Barra é procurado mais por brasileiros, já que não faz muito tempo que está filiado a rede da Hostelling. “Recebemos também muitas famílias, mas é no carnaval que aqui bomba”. Praticamente ao lado do circuito dos blocos, os pacotes de carnaval do Hostel são disputadíssimos, sendo necessário reservar com bastante antecedência.
Serviço:
Rua Dr. Artur Neiva, 04 (próximo ao Morro do Cristo) – Salvador – BA
reservas@alberguebarra.com.br / www.alberguebarra.com.br
Telefone: (71) 245-2600
Escrito por Jeferson Jess �s 20h30
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Enfim, Salvador
Tempo quente e abafado, com chuvas e sol alternando-se dez vezes por dia. Assim é o inverno no nordeste. Na orla até bate um ventinho mais fresco, mas nada que impeça o uso daquele chinelão e regata. Sinceramente não queria voltar para Salvador nesta nova etapa da expedição. As grandes cidades oferecem muitas complicações para quem viaja sozinho e de carona. As atrações são distantes, a ladroagem é iminente e a carona é quase impossível no meio urbano.
Mesmo assim, tinha três contatos interessantes na cidade e resolvi fazer uma visitinha rápida. Por azar / sorte do destino, nenhum deles vingou e acabei saindo em pleno sábado de chegada, mesmo cansado e sem dormir direito. O boteco escolhido foi o bar da Bohemia, já conhecido de outros tempos, mas agora todo reformado, com atendimento péssimo e preço abusivo, mesmo dando um “meio carteiraço” no gerente.
Localizado na Barra, o bar da Bohemia fica numa rua cheia de outros semelhantes, barzinhos descolados, lembrando um pouco a Av. Batel de Curitiba. Antes de entrar na perdição, encontrei na porta três quarentões de Bal. Camboriú, indignados com a noite de Salvador, fazendo comparações com Floripa e tal (covardia). Tá certo que o custo-benefício das baladas do sul são bem interessantes, mas chega certa idade que não dá mais pra ficar reclamando. O segurança do bar se encheu deles e indicou uma boate “da porra” pros caras, que ficava em outro bairro sinistro. Não demorou muito e lá se foram os três tiozinhos de táxi empolgados com a dica. “Vale mesmo a pena ir lá?”, perguntei ao segurança ainda duvidando de sua indicação. “Bom, se você freqüenta boate gay, essa é a melhor da cidade!”
Dei risada do espírito gonzo do infeliz e entrei no Bohemia. Lá dentro, absurdos que só existem na Bahia: quem está de pé, no balcão, pode comprar uma cerveja longneck por R$ 3,50. Agora, só quem estiver numa mesa, sentado, pode pegar uma garrafa 600 ml, que custava R$ 3,90! Claro que o bar estava cheio e ninguém fazia questão de desocupar as mesas. O boteco só não foi uma grande furada porque lá estava uma linda professorinha, de nome Cristiane, baiana legítima, fala mansa, distraída e carinhosa. Foi ela quem salvou também a tarde chuvosa de domingo, me apresentando um divino assaí com capuaçu (muito melhor que de banana). Delícia!
Escrito por Jeferson Jess �s 20h06
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Paisagem que retrata um pouco do que é Salvador. Côco a menos de R$ 1,00 e o bonito Farol da Barra ao fundo
Escrito por Jeferson Jess �s 19h08
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Ainda no sábado...
No vôo Sampa – Salvador, tive a nítida impressão que já estava na Bahia. Sentado ao meu lado, separado pelo corredor, estava uma figura típica daquele estado, uma mistura de Jorge Aragão com Mãe Dinná. Se não fosse sua decoração carregada de elementos do candomblé, diria até que era o próprio sambista. Pai Francisco, como era chamado, levava junto alguns jornais amassados onde apareciam fotos de sua última visita a São Paulo. Imaginei alguém importante que desconhecia e pedi para ver os jornais. Pai Francisco é principal expoente da valorização da cultura afro-religiosa no país, sendo muito influente perante as comunidades negras. Por isso é chamado com freqüência por diversas personalidades políticas para realizar suas palestras e cultos em troca votos carimbados e um bom trocado. Sua foto estava na coluna social de um evento bancado pelo atual governador do estado, Cláudio Lembo. Oxalá!
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Fiquei boa parte da viagem trocando uma idéia com o Bàbálòrisá (pai de santo em alguma língua afro) na tentativa de descolar uma carona do aeroporto até o centro de Salvador. Em vão. Dizia ele morar no outro lado da cidade. Enquanto aguardava um busão debaixo de uma tempestade e já quase noite, um carro importado com placa de Araucária pára na minha frente. “Será um resgate”, pensei. Olhei para o motorista, de aparência bem jovem e achei familiar. Na abordagem, quase matei o cara de susto. “Dae rapá! Qualé desse carrão de Araucária? Já é, já é!! Vai vazando senão leva pipoca”, deve ter pensado o coitado. Jhonatam tinha apenas 22 anos e era parente dos Fialla, família tradicional das araucárias. Fazia dez anos que morava na Bahia, atualmente trabalhando com eventos no Complexo da Costa do Sauípe. Falei do meu roteiro e Jhonatam não titubeou: “Quando chegar no Sauípe me ligue que te ponho lá dentro”. Demorou...
Escrito por Jeferson Jess �s 18h54
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Sábado de Sampa
Na correria do aeroporto de Congonhas, encravado na área urbana de São Paulo, um mundo de mistério e símbolos ocultos passam despercebidos pela maioria das pessoas. Tive a desgastante oportunidade de ficar sete horas perambulando pelos seus corredores, enquanto meu vôo para Salvador não chegava. Não bastasse o chá de cadeira, comecei a ser seguido por um investigador a paisana. Ele tinha uma escuta disfarçada no ouvido, que se comunicava com a central, onde está os monitores das câmeras de segurança. Depois de sentar ao meu lado e perceber que não carregava comigo nenhuma bomba na mochila, o civil acabou desbaratinando.
Diante daquela espera interminável, olhei atentamente para o elevador. Na parede indicava três pisos: térreo (T), mesanino (M) e 1º andar. De repente o cacique do PFL, Jorge Bornhausen, junto com assessor qualquer, cruza a minha frente. Durante o tempão que estava ali, já tinha visto várias figurinhas conhecidas, mas de nomes que eu não fazia questão alguma de lembrar. No 1º andar ficava o restaurante do aeroporto, chique e caríssimo. Já estava na hora da bóia mas não queria sair daquele ambiente “quase famosos” e ir pra rua procurar comida. O que poucos sabem é a existência de um andar secreto em Congonhas, não divulgada pela sinalização interna do local: o subsolo (SS). Área camuflada, onde se encontra serviços básicos para o humilde trabalhador, inclusive um restaurante!
Existem duas maneiras principais de chegar ao subsolo. A primeira você deve ignorar a indicação de que existem apenas três andares e entrar no elevador. Ali dentro, procure um botão com os dizeres meio apagados (SS). Respire fundo e aperte! Outra maneira, muito mais sinistra e obscura é descer as escadarias do canto direito do saguão central. Confesso que quem falou dessa segunda opção foi uma moreninha toda lindinha, Gisele, que trabalha na revistaria do aeroporto. Lá em baixo, o caminho é recortado por corredores sombrios, passando por várias salas debaixo de tubulações de ar e água. Só é possível prosseguir sem se perder por causa das plaquinhas grudadas na parede, mostrando a direção do labirinto até o restaurante e também ao cabeleireiro!
Depois de atravessar o submundo do aeroporto, eis que surge no fundo de um largo corredor (tipo aqueles de hospital): o Restaurante Arvoredo! Para meu azar, estava fechado. Era sábado e o local funciona apenas de segunda a sexta-feira, fornecendo almoço para os funcionários do local por um preço honesto. Quem se aventurar atrás da bóia barata, pode aproveitar também para dar um trato no cabelo. Não esqueça de chegar um pouco antes, pois é sempre movimentado. Ou você acha que as bonitas aeromoças à bordo já nasceram com os cabelos bem cuidados e arrumados?
Escrito por Jeferson Jess �s 15h30
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