O maluco do Forte Orange

Olinda, 8h00 de segunda-feira. Missão: conhecer
Igarassu, a Ilha de Itamaracá e tentar chegar no Albergue de Jacumã, já na
Paraíba, ainda no mesmo dia. O motivo: Ao meio dia do dia seguinte seria jogo do
Brasil pela Copa, por isso nada de ficar perdido na estrada. O perrengue: chuva
que caiu pela manhã e ameaçou toda a tarde.
Estava preparado para uma jornada que não poderia
haver atrasos e falta de sorte. Atravessei o centro histórico até a avenida
principal, na saída de Olinda. No ponto de ônibus para Igarassu, pára um Escort
velho fazendo lotação ilegalmente para Goiana, norte de Pernambuco. Como estava
sozinho, o motorista me levou até meu primeiro destino quase de graça. Por causa
do transporte público precário no nordeste, todo mundo que tem carro faz bico de
lotação. Isso prejudica demais a carona na região.
Em Igarassu, um dos primeiros focos da colonização
portuguesa, situa-se a Igreja de São Cosme e Damião, considerada a mais antiga
do Brasil. A fachada e o interior foram modificados ao longo do tempo, mas as
paredes e o altar lateral ainda são originais do século XIV. Bem perto da
igreja, está o Convento de Santo Antônio, representando a maior riqueza da
cidade, com suas pinturas no teto e azulejos portugueses.
Quando os holandeses invadiram o Brasil no período
colonial, construíram de taipa o Forte Orange na Ilha de Itamaracá, para
controlar o acesso a Igarassu. Em uma das batalhas, o Forte foi destruído pelos
portugueses e reconstruído de pedra em 1654, até ser abandonado durante
séculos.
Em 1970, surge a figura do “Guardião do Forte”, um
ex-presidiário condenado por homicídio que na época foi transferido para a
Penitenciária Agrícola de Itamaracá, onde era levado para limpar o mato que
tomava conta das ruínas da antiga construção militar. Foi o primeiro contato de
Zé Amaro com o Forte, que jurou um dia morar ali. Dez anos depois, em
condicional, realizou seu grande sonho, autorizado pelo Exército para cuidar da
Fortaleza até então abandonada.
Zé Amaro passava o dia sozinho trabalhando na
recuperação do monumento e a noite fazia esculturas e entalhes em madeira. Assim
surgiu a lojinha de artesanato do Forte Orange, que dava espaço também para o
trabalho de outros presidiários da ilha, ajudando na reeducação de muitos
deles.
O sucesso de seu esforço fez com que Zé Amaro pagasse
uma promessa, chamando a atenção da mídia nacional. Em 1989, o ex-detento
resolveu passar um ano acorrentado a uma bola de canhão encontrada na sua nova
casa. Com esse marketing de guerrilha, Zé Amaro ficou conhecido como “O Maluco
do Forte”, tornando-se famoso pela sua dedicação ao patrimônio público.
Atualmente o guardião não mora mais na Fortaleza, mas mantém um museu que criou
sobre a história do local e tem seu trabalho de artista reconhecido no
exterior.

Pegando a
estrada
Na saída de Igarassu, ainda na área urbana, resolvi
tentar a sorte logo após uma lombada eletrônica instalada na rodovia. Mesmo com
muita gente circulando e o acostamento destruído por buracos, ali era o melhor
ponto para uma possível carona, pois o trânsito seguia em baixa velocidade.
Preparei a plaquinha no meu caderno de desenho: “PARAÍBA”. Não especifiquei a
cidade, para aumentar as chances de alguém parar e perguntar qual é meu destino.
Nem dois minutos na beira do asfalto, encosta um carro, carregado de gente
atrás. Tava na cara que era lotação, mas como o motorista não falou nada,
embarquei no banco do co-piloto.
Já fui falando do projeto da carona, até que o tio se
espertou. Como não podia me levar de graça, me despachou num posto da Polícia
Rodoviária. Ali seria fácil. Primeiro parou um automóvel para Campina Grande
(PB). Poderia descer em Goiana e tentar conexão para o trevo de Jacumã, afinal
uma das leis da arte da carona é nunca ficar muito tempo parado num lugar só.
Mesmo escurecendo rapidamente, arrisquei ficar no posto que era um lugar seguro
e ideal para descolar a salvadora carona.
Não demorou muito para parar mais um carro de passeio, com destino a João
Pessoa. Respirei aliviado, sabendo que minha missão estava quase concluída.
Faltava apenas um perrengue para fechar a jornada. Depois de caminhar um monte
para achar o albergue na escuridão da Praia de Caripibus, descubro que o bendito
estava fechado. Sorte que em Jacumã havia outro albergue fora do catálogo. Para
voltar até a vila, só mesmo botando o dedão pra fora
novamente.
Escrito por Jeferson Jess às 11h52
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Olinda Hostel

Charme e história são os ingredientes principais que definem o Albergue de Olinda. Localizado na Rua do Sol, dentro do sítio histórico, foi reconhecido pela Unesco como Centro de Cultura e Paz da cidade. A casa principal preserva uma arquitetura secular, de quase 150 anos, onde desde 1985 funciona um dos mais antigos hostels do país. A mistura de elementos do passado com extravagâncias da modernidade (varanda de descanso, piscina com deck de madeira, internet de alta velocidade), transforma o Albergue de Olinda num ambiente charmoso, único e inesquecível.
Serviço:
Rua do Sol, 233 – Olinda (PE)
Telefone: (81) 3429-1592 / Fax: (81) 3439-1913
Email: alberguedeolinda@alberguedeolinda.com.br Site: www.alberguedeolinda.com.br
Escrito por Jeferson Jess às 10h13
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Linda Olinda

A histórica cidade de Olinda é um agradável refúgio da gastança desenfreada que rola no Recife para um pobre viajante independente. Aqui as atrações são as estreitas ruas e ladeiras de pedras, com seu centro declarado patrimônio da humanidade, que pode ser percorrido a pé durante uma tarde de disposição. O casario colonial preservado, fachada para restaurantes, ateliês e pousadas, mistura-se com uma infinidade de igrejas presentes em cada ruela da cidade. A mais impressionante de todas é o Mosteiro de São Bento, construído em 1582, com altar em estilo barroco e folheado a ouro. Na parte alta, fica a Igreja da Sé, muito visitada por causa da linda vista panorâmica da Grande Recife.
Quando chega a noite, barraquinhas de comidas típicas e música ao vivo tomam conta da cidade alta. Na rua do Amparo, reduto de artesãos e artistas plásticos, vende-se uma bebida caseira conhecida como “Axé de Fala”. A receita do xarope é explosiva: cachaça, cravo, canela, gengibre, semente de guaraná e ervas medicinais secretas. “No carnaval só dá Axé de Fala”, garante o vendedor. Não é a toa que o carnaval de Olinda atrai multidões, começando uma semana antes da data oficial, liderados pelos bonecos gigantes de papel marchê e ao som de muito frevo e maracatu.
Escrito por Jeferson Jess às 09h51
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Boa Viagem Hostel - Recife

Piscina, quadra poliesportiva, churrasqueira, sala de TV com cadeiras e redes, quartos amplos e arejados. Não, não é um clube de praia. É o albergue da Praia da Boa Viagem, adaptado de uma casa alto padrão, instalada entre altos edifícios na mais bonita e agitada praia de Recife. Sua excelente localização, próximo à beira mar e ao Shopping Recife, possibilita um fácil acesso do hóspede tanto para o centro antigo como ao aeroporto. Ponto de partida para um mergulho cultural por dentro dos arrecifes de Pernambuco!
Serviço:
Rua Aviador Severiano Lins, 455 – Boa Viagem – Recife
Telefone: (81) 3326-9572
hostel@hostelboaviagem.com.br / www.hostelboaviagem.com.br
Escrito por Jeferson Jess às 22h15
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Recife em dia de São João

A espalhada cidade de Recife praticamente morre no final de semana de São João. O feriado tem um simbolismo muito forte na região nordeste, onde quase todos procuram as festas do interior para se divertir e buscar as raízes culturais de cada um. Quem fica na metrópole, fecha as portas do comércio para descansar e respeitar a memória do tio João, deixando-a deserta e sem opções para o pobre visitante.
A prefeitura até tentou promover um entretenimento para a galera nativa, oferecendo shows gratuitos em dois palcos no bairro do Recife Antigo. No maior que era coberto, tocava um forrozinho bacana, mas já meio “over” depois de três semanas de junho rolando apenas um estilo musical na estrada. No outro palco, aberto e encravado no meio do Beco do Burburinho, bandas alternativas que mesclavam surf music e reggae disputavam com o forró quem mandava no pedaço.
Destaque para o som pesado do “Shark Attack”, nome inspirado nos constantes ataques de tubarões que ocorrem da Praia da Boa Viagem. Infelizmente a chuva que teimou em cair depois da meia noite, espantou o pessoal para debaixo das marquises e para suas casas dormir mais cedo. “Ô tempinho da peste”, gritou o garçom!
Na foto, galerinha do Albergue de Recife, mas de diferentes cantos do país: Aline (ES), Leandro (MG), Melila (RO) e eu. Todos prontos pra balada, depois de devorarmos uma carne de sol e um queijinho assado com melaço de sobremesa! Hummm...
Escrito por Jeferson Jess às 22h03
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O quê a expedição viu, mas ainda não contou

Calhetas – Cabo de Santo Agostinho (PE)
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Praia dos Carneiros – Tamandaré (PE)
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Menção honrosa para o Bar do Zé Peidão (Maragogi) e o Restaurante Zezinho do Pé de Porco (Cabo S. Agostinho), ambos sem registro fotográfico.
Escrito por Jeferson Jess às 21h37
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