Piratas da Paraíba

 

Abandonei a cidade de João Pessoa com a impressão de que ali voltaria em breve. Um local simples, acolhedor, com muitos estrangeiros já naturalizados paraibanos, onde o turismo ainda está engatinhando. Decidi fazer um pente fino no litoral norte do estado, mesmo sabendo que muitos lugares só teriam acesso por meio de veículos 4x4.

 

Era mais um dia de jogo da seleção brasileira, agora contra a França pelas quartas-de-final. Pressentindo algo de ruim, caí na estrada para não perder tempo com a televisão. Em Cabedelo, sob a balsa que atravessa o canal utilizado na colonização de João Pessoa, descolo uma carona até Lucena, passando por uma estradinha entre mangues e coqueirais. Partir daí, o litoral se transforma num lugar deserto e selvagem, sem estradas e pontes.

 

Pensei ir caminhando pela praia até a Barra de Mamanguepe, mas fui alertado dos perigos da maré alta, numa região cortada por muitos riachos. Um motoqueiro que fazia serviços de moto-taxi, chegado em aventuras, se ofereceu para me levar até a Barra por um preço de custo. Lá fomos nós, por atalhos em meio a canaviais e muita lama, obrigando-nos a parar seguidas vezes para tirar o barro das rodas da moto. O percurso off-road demorou quase uma hora, causando-me câimbras pela tensão da viagem e por causa do peso da mochila nas costas.

 

 

A Barra de Mamanguape é um refúgio da civilização urbana. A pequena comunidade caiçara praticamente não sofre influência do turismo, preservando suas características e modo de vida. Os poucos visitantes que aparecem na temporada vem atrás da sede do Projeto Peixe Boi, pioneiro no país. Na praia, formada por pequenas dunas e arrecifes, presença apenas de cavalos que pastavam vagarosamente a vegetação rasteira do local.

 

Na vila, fiz um rango digno dos melhores restaurantes de pescados a preço de preto-feito. A “Peixada do Curió” fazia jus ao nome, trazendo um peixe inteiro grande, arroz, feijão, macaxeira frita, salada e limonada. Aproveitei a hospitalidade do seu Curió e me instalei ali mesmo para ver o jogo do Brasil. Depois da decepção nacional, eu e outros nativos da Barra afogamos a tristeza pelo futebol tomando todas no restaurante... (continua abaixo)



Escrito por Jeferson Jess �s 18h47
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Não demorou muito para todo mundo ficar bêbado. Já estava até combinando com a galera de sair pra balada na aldeia ao lado. Depois de acabarmos com o estoque de cervejas do Curió, alguém mandou descer um Rum Montilla. Capotei dentro da barraca, armada ali mesmo no restaurante, só acordando no outro dia, com o Curió dizendo ter achado uma carona de barco para mim até a Baía da Traição.

 

Arrumei a mochila em tempo recorde. Junto comigo, bastante gente também aproveitava a viagem para pegar uma caroninha. Um casal trazia na bagagem um “cacho” de coco-verde, recém tirado do pé. Mais tarde saberia a finalidade. Já em alto mar, surge a bordo o Rum Legendário, de quinta categoria, que era misturado à água de coco. De ressaca e com o barco balançando muito preferi recusar a bebida. Sentia-me um pirata gonzo, vagando pelo desconhecido, desvendando novos mares, atrás de um tesouro que não sabia se existia...

 

Adiante da Baía da Traição, o perrengue se repetia. A estrada terminava perto dali, sobrando apenas uma precária ruazinha de terra improvisada que quase nunca passava carros. Por milagre, peguei caronas curtas que diminuíram minha pernada até a Barra de Camaratuba. No meio do caminho surgem falésias gigantescas, onde aldeias de índios potiguaras desfrutam de uma vista privilegiada do mar. Cinco quilômetros antes da Barra, a estreita rua se torna de fato uma trilha de areia fofa, que cortava a vegetação de caatinga sob um sol chapante de 35 graus.

 

 

Depois de muito suor chego ao sinuoso rio que desce até a praia. Para atravessá-lo sem se molhar, somente através da balsa rústica empurrada pela força dos índios usando longas taquaras. Inacreditavelmente, um carro aguardava a travessia, fazendo eu perguntar pro cara como ele tinha chegado naquele fim de mundo. Aproveitei a chance e embarquei direto para a Barra de Camaratuba. Cansado das andanças com a mochilona de vinte quilos, parei para almoçar numa pousada, antes de tentar achar o asfalto e chegar definitivamente na Baía Formosa, paraíso do Rio Grande do Norte.

 

Enquanto descansava, a tia da pousada atendia um rapaz que parecia ser da família. Num lance de intuição e muita sorte, perguntei a tia, em voz alta e bom tom, como era o esquema para alcançar a Baía Formosa ainda de dia. Sabendo que era quase impossível, ela já foi se lamentando até que o rapaz escutou a conversa e salvou a pátria. “Eu moro na Baía. Meu pai esta indo daqui a pouco pra lá. Quer uma carona?”



Escrito por Jeferson Jess �s 18h45
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Manaíra Hostel - João Pessoa

 

Instalado numa mansão na praia de Manaíra, o albergue de João Pessoa é perfeito para quem deseja conhecer a cidade e ficar perto de todas as atrações. Possui piscina, sala de TV a cabo, lavanderia e cozinha para alberguistas, além de uma agradável área de convivência. Comodidade e conforto garantidos na capital mais tranqüila do nordeste.

 

Serviço:

Rua Major Ciraulo, 380 – Manaíra – João Pessoa (PB)

Telefone: (83) 3247-1962

manairahostel@hotmail.com / www.manairahostel.br2.net

 



Escrito por Jeferson Jess �s 18h30
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Flerte ao pôr do sol

 

Na tranqüila e simpática capital da Paraíba, o final do dia de São Pedro era anunciado por uma multidão que aguardava a tradicional procissão marítima na beira da praia. O trapiche que separa as bonitas praias de Timbaú e Manaíra fornecia o melhor ponto de visão para observar o acontecimento. De lá, viam-se os barcos desfilando em alto mar, até quando o primeiro parou perto da areia e descarregou o santo nos ombros dos pescadores. Ao som de foguetório e rezas cantadas pelo povo, o trapiche não servia apenas como passarela da fé. Uma linda morena de corpo escultural, estatura baixa, com rosto mestiço e sorriso tímido, circulava perdidamente na frente de todos, usando um vestido preto curto, que teimava subir além das pernas com a forte brisa soprada pelo mar.

 

A procissão chegava ao fim e o sol de um dia sem nuvens começava a se pôr. A multidão se dispersava, mas a morena continuava ali, apoiada na guarita, deslumbrando o horizonte como se viesse de terras mais distantes. Enquanto eu batia fotos do entardecer, olhares cheios de mistérios se cruzavam em rápidos instantes, provocando a curiosidade e o desejo ainda secreto de um pelo outro. Peço para a linda mulher tirar uma foto minha, junto aquele cenário de cartão-postal, na tentativa de um primeiro contato.

 

A moça fez o favor, com muita competência aliás, mas logo se afastou embora, deixando-me poucas palavras, que enganaria os mais céticos e impacientes. Sem sair daquele braço de concreto sob o mar, segui com os olhos a morena cada vez mais distante, até sumir por trás dos quiosques da orla. Mesmo fugindo dos sentimentos, ela não deixava de espiar suas costas, parecendo que perdera alguma coisa. Na minha mente era mais um devaneio que se apagava, no meio de tantos já imaginados nesta vida de alucinações. Fiquei ali, imóvel, por mais 15 minutos, até o sol de pôr completamente e ter certeza que não voltaria mais.

 

Cabisbaixo pelo cansaço de mais um dia concluído, fui caminhando até a orla sem um destino traçado. Na saída do trapiche, surge a poucos metros de minha frente, a miragem da linda garota, de costas, agachada vendo o artesanato que era exposto ali no chão. Era um sutil jogo de sinais, que precisava acabar, mas ninguém poderia perder. Preferi fazer uma última jogada, para ter certeza que ganharia o troféu. Passei colado ao seu corpo, também dando as costas, parando pouco adiante na sua linha de visão. Enquanto mexia no celular, aguardava a resposta definitiva da recompensa. Lentamente ela veio caminhando em minha direção, até se trombarmos novamente, agora com os nossos desejos ocultos revelados...

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h58
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Agradecimentos - João Pessoa (PB)

Para a galera que ajuda a Expedição dando super descontos nos serviços:

 

Lavanderia 2000 (O dono foi um grande caroneiro na juventude. Gente finíssima)

Av. Esperança, 485 – Manaíra – João Pessoa

Telefone: (83) 3226-4654

 

Cannes Video Clube e Cyber Café

Rua Juvenal Mário da Silva, 168 – Loja 01 – Manaíra – João Pessoa

Telefone: (83) 3246-1966

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h54
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Sem palavras e roupas até Tambaba

 

Uma das caminhadas mais interessantes da Expedição até agora foi da paradisiaca praia de Tabatinga à naturista Tambaba, no litoral sul da Paraíba. Todo o trajeto é acompanhado por falésias coloridas e pequenas ilhas de pedra perdidas no mar. Logo após a praia de Coqueirinho, as falésias fazem uma curva se afastando do mar, formando um imenso salão de formas e cores, nascendo gigantescos castelos de areia. Depois de duas horas de caminhada, uma trilha sobe o morro até a entrada para Tambaba, a primeira praia de nudismo do nordeste. A normas são rígidas. Nada de roupa e homem desacompanhado.

 

Fiquei aguardando uma donzela solitária que pudesse entrar comigo, mas era meio da semana e poucos turistas apareciam ali. Cansei de esperar, dando um carteiraço no segurança. Entrei peladão na extensa  Tambaba, de mar aberto, com pousadas e restaurantes lá dentro. Haviam acho que oito famílias em toda praia. Mesmo com pouca gente, eu desacompanhado chamava atenção de todos, causando um constrangimento ainda maior do que ficar pelado em público pela primeira vez. Vinte minutos depois já estava vestido e fora dali. Percebi que esse lance naturista não é muito minha praia. Peguei uma caroninha fácil na entrada de Tambaba até Jacumã, onde no mesmo dia migrei para a hospitaleira João Pessoa.

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h51
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Pousada do Inglês - Jacumã

 

Quem procura no catálogo da Hostelling International algum albergue na região de Jacumã, Paraíba, logo encontra o Onze Praias Hostel, localizado na praia de Carapibus. Por ser pouco procurado fora de temporada, longe do mar e no meio de casas de veraneio, o proprietário que também possui uma pousada na vila de Jacumã, resolveu juntar dois em um. A Pousada do Inglês, tocada pelo britânico Hugh Medley, conta com uma estrutura de alto padrão, praticamente em frente a praia, com piscinas, bar, salão de jogos e pistas de mini golfe. Para atender os filiados da Hostelling, reservou por enquanto apenas dois quartos coletivos, com direito a uso da área externa. Assim, o Onze Praias foi desativado temporariamente, deixando a Pousada do Inglês com o título de um dos melhores albergues do país.

 

Serviço:

Rua Sebastião Ribeiro, 100 – Praia de Jacumã – Conde – PB

Fone / Fax: (83) 3290-1168

www.pousadadoingles.com.br / pousadadoingles@uol.com.br

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h48
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Objetivo da Expedi��o
Contornar todo o litoral da Am�rica Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a pr�tica deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Pr�xima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Sa�da de Curitiba, contornando todo o cone sul at� alcan�ar a cidade de Santiago, no Chile.


Meu perfil
Jornalista e arquiteto de informa��o, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portf�lio)


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