Litoral norte de Natal



 

A melhor forma de conhecer as praias do litoral norte potiguar é abrindo a carteira para um alucinante passeio de buggy. Por 60 reais em média, o visitante passa o dia todo percorrendo dunas, lagoas e praias paradisíacas, com direito a manobras arriscadas dos bugueiros, transformando a viagem numa corrida de aventura.

 

A primeira parada do percurso é o Parque das Dunas em Genipabu, “crowdiada” por buggys, barraquinhas e turistas de todos os naipes. De lá parte o pitoresco passeio de dromedário – 10 minutos num banquinho apoiado na corcova do animal. Junto no carro estava uma família de Belém, que pedia só uma coisa. Uma trip “sem emoção”.

 

Na primeira peripécia do bugueiro, o casal do Pará desceu, deixando a filha sozinha de castigo para sentir um pouco de adrenalina. No volante, João do Coco mostrava toda sua habilidade, nativo de Genipabu e mestre nas “decolagens”. Sem me dar conta do perigo, eu atiçava o bugueiro falando que a única emoção até o momento era ele ter furado o sinal amarelo no centro da cidade.

 

 

Provando ser arretado, João pisou fundo no acelerador, jogando a menina do norte para todos os lados, até bater a cabeça no meu cotovelo. Foi a primeira e talvez a última experiência dela nas dunas do Rio Grande do Norte.

 

Hora de refrescar os ânimos. Na Lagoa de Jacumã, cercada por dunas, a principal atração é a famosa tirolesa, chamada na região de Aerobunda! Pertinho dali, o cenário se repete para o Esquibunda, um sandboard sentado que termina numa piscina artificial.

 

Depois de muita curtição com os “brinquedos” (4 e 5 reais respectivamente), João do Coco resolve parar no alto de uma duna deserta. Mandou todo mundo de Belém descer e deu o recado: “Esperem um pouco aí pessoal, vou dar uma voltinha com meu amigo de Curitiba aqui” – disse de maneira maquiavélica.

 

 

Partir daí, penei para não sair voado do buggy. Ladeiras íngremes, buracos na areia, atalhos beirando precipícios, tudo a 80 km/h sem usar o freio em nenhuma situação. As montanhas russas do Beto Carrero e Hopi Hari são fichinhas perto das montanhas de areia rasgadas pelo seu João.

 

De quebra, no final com todo mundo reunido novamente, fomos para o Cabo de São Roque, em Maxaranguape, o ponto do litoral brasileiro mais próximo da África, com um visual arrebatador. À noite, retornei para Natal com a certeza de que emoção foi o que não faltou até agora na expedição.

 

OBS pertinente: No retorno do Brasileirão, Flamengo 1 x 4 Paraná Clube. Saudações tricolores rumo ao título!



Escrito por Jeferson Jess às 18h40
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Cargueiro para Fernando de Noronha!



Resolvi sair de Ponta Negra e passar uma tarde na região do porto atrás de um esquema que sempre imaginei existir: barco de carga para Fernando de Noronha! De fato, logo na entrada do terminal portuário fiquei sabendo que em Natal apenas uma companhia fazia carga para lá. Fui até o barracão da Agemar Transportes Marítimos, passando por becos imundos e fétidos de pescados.

 

Dentro do sinistro barraco da empresa, uma correria maluca de funcionários carregando pacotes de comida, bebidas e muitas frutas. Na manhã seguinte sairia o barco da semana rumo ao arquipélago, por isso a agitação em deixar tudo pronto. Num escritório improvisado, o capitão da viagem parecia mais um comerciante dos tempos das caravelas. Checava na planilha todos os itens a embarcar, ao mesmo tempo em que negociava o melhor preço com um fornecedor picareta.

 

Olhando aquela cena, imaginei um papagaio tagarela no ombro do capitão, repetindo os preços dos produtos que eram exclamados em voz alta. Quando as coisas se acalmaram, apresentei-me como jornalista falando das minhas intenções e do projeto da expedição. Na mesma hora meu pedido de carona foi recusado. A fiscalização nas embarcações está muito rigorosa depois que andaram roubando combustível na frente da Marinha. Sem falar que para entrar em Noronha é necessário ser fichado, pagar elevadas taxas de conservação do local e ter reserva em pousada.

 

Por ser um barco cargueiro, o número de acomodações é mínimo, suficiente apenas para o pessoal de trabalho. Caso conseguisse ir junto, antes de partir a Capitania dos Portos teria que fazer uma inspeção na embarcação para avaliar a segurança de ter um tripulante extra. Para evitar dor de cabeça, o capitão nem cogitou essa chance. Até mesmo os nativos de Noronha, que precisam ir ao continente com freqüência, só conseguem sair de lá de avião, trecho controlado por apenas uma companhia aérea.

 

Na Capitania existe um projeto dos moradores da ilha que estão tentando instalar uma linha fixa de barco para transporte de passageiros. Claro que a burocracia da Marinha e o medo de alguém assinar algo e se ferrar depois, fez o projeto ser indeferido. Por enquanto Fernando de Noronha continua sendo um destino de elite, distante para viajantes independentes, mas que pelo menos se mantém preservado e cada vez mais cobiçado.

 

Dica: Quer mesmo ir de cargueiro para Noronha? Tente carona em Recife. A ilha é subordinada ao estado de Pernambuco e de lá partem seis diferentes companhias que fazem transporte de carga.



Escrito por Jeferson Jess às 10h57
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A Ponta Negra de Natal



 

O bairro de Ponta Negra foi construído para ser um reduto dos turistas que chegam a Natal, abrigando pousadas, restaurantes e toda parafernália de serviços que envolvem o ramo. Isso tornou o local bem diferente das características da cidade, chamando atenção de ambulantes, malandros e principalmente garotas de programa. O problema na região é antigo, desde quando o nordeste era e ainda é destino predileto dos estrangeiros em busca do turismo sexual.

 

Na paraibana João Pessoa já tinha notado que a sacanagem comia solta, mas cada menina tinha seu espaço, sem invadir a área social dos turistas. Agora em Natal, mais precisamente na Ponta Negra, o negócio se torna explícito e intrínseco no cotidiano noturno. Em bares, restaurantes, na rua, nos quiosques, as “primas” (como são chamadas as prostitutas por aqui) atacam os gringos atrás de euros, dólares e também filhos! Apesar da forte campanha contra o turismo sexual, divulgada em cartazes e outdoors, o mercado do prazer continua aberto 24 horas, sem restrições ou vergonha, para quem quiser pagar pra ver.



Escrito por Jeferson Jess às 10h53
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Lua Cheia Hostel - Natal



 

Você conhece o albergue de Natal? “Não”, responde o nativo da cidade. Chama-se Lua Cheia Hostel? “Também não”. É um castelinho localizado na Ponta Negra? “Ah, o castelo! Conheço sim”. Não é a toa que o Hostel de Natal é um ponto conhecido e turístico da região. Construído em estilo medieval, o Lua Cheia chama atenção de quem passa na frente, provocando curiosidade nas pessoas que fazem questão de entrar para dar uma espiadinha. Anexo ao castelo, está o Taverna Pub, destino já consagrado da noite natalense, com bandas ao vivo tocando todas as madrugadas. O próprio albergue também oferece os melhores passeios de buggy e de barco, sempre com segurança e qualidade, deixando o hóspede preocupado em apenas se divertir e aproveitar a trip!

 

Serviço:

Rua Dr. Manoel A. B. de Araújo, 500 – Praia de Ponta Negra – Natal

Fone / Fax: (84) 3236-3696 / 3236-4747

www.luacheia.com.br



Escrito por Jeferson Jess às 10h29
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Praia de Pipa (RN)



 

Sorte nas caronas é como aguardar uma boa onda no mar. Depois da primeira vem a seqüência da série, intensas e cheias de emoção. Na saída de Baía Formosa, dois caras desocupados descansavam na sombra de uma árvore. Talvez estivessem esperando o ônibus. Naquele ponto iria tentar pedir carona, pois o Sol estava pegando e era a única sombra por perto.

 

Chegando perto dali, um carro passou chutado, sem dar bola para meu sinal de polegar esticado. Os manés debaixo da árvore ensaiaram uma risadinha, como se fosse impossível pegar carona na cidade. Percebi de longe que seria um porre ter que agüenta-los em cada tentativa frustrada de sair fora. Aproximei-me sem falar nada, cumprimentando e encarando os infelizes.

 

No mesmo instante que parei ali, um carro locado encosta no susto. Era um casal de turistas holandeses com um filhinho pequeno. Minha meta era chegar na Praia de Pipa, mas por ser longe e contramão, tentava carona para Goianinha, no meio do caminho. O marido entendia um pouco português, mas não conhecia tal cidade. Já foi arrancando o carro, com medo de algo pior, até que a mulher dele falou a palavra mágica: Pipa?

 

Rapidamente mudei de conversa, falando que Pipa era meu verdadeiro destino. Desconfiados, demorei mais um bom tempo para explicar a situação. Na sombra, os dois caras estavam de boca aberta, não acreditando no que viam. Já no carro acenei para eles, me despedindo da Baía Formosa em grande estilo, dropando na sorte de um swell ideal...

 

**********

 

Pipa é a praia da moda e badalação do Rio Grande do Norte. Respeitando as características de cada uma, maioria dos estados do litoral possui a sua. Maresias em São Paulo, Búzios no Rio, Arraial e Praia do Forte na Bahia, Porto de Galinhas em Pernambuco. Como todo nordeste em geral, o turismo em Pipa ainda está em desenvolvimento, dependendo muito do investimento de pessoas de fora. Na vila, restaurantes e pousadas caras, junto com a presença constante de estrangeiros, fazem aumentar o custo de vida tornando o local comercial demais para um viajante independente.

 

Ao redor, Pipa compensa qualquer gasto extra com praias belíssimas, contornadas por grandes falésias e degraus de pedras. Na parte sul, a Praia do Amor é reduto de surfistas e gente bonita. Caminhando mais adiante surge a Do Moleque, com uma escadaria para o mirante do Chapadão, de visual alucinante. Ao norte, a Praia do Curral e do Medeiros são praticamente desertas e protegidas por falésias em toda sua extensão.

 

Se de dia é praia, a noite ferve na vila de Pipa, principalmente na temporada, com bares e boates para todos os gostos. Na visita da expedição, entre segunda e quarta-feira, sobrou apenas as atrações naturais para conferir, já que a balada estava em reforma para abrir agora no começo de julho. Com certeza, lugar marcado para voltar em breve...

 

Barbada:

Bem no centrinho de Pipa, ao lado da Pousada Cabo Verde, há quartos simples mas espaçosos com frigobar e ventilador por módicos 10 a 15 reais. Contato: Dona Mônica.



Escrito por Jeferson Jess às 11h16
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Uma Baía muito Formosa



 

Quando cheguei à Baía Formosa, de carona com o Presidente da Câmara dos Vereadores da cidade, fui surpreendido pela rara beleza do lugar. A pacata vila, instalada em cima de uma falésia, revela duas paisagens distintas da praia. Do lado esquerdo, as águas claras e sem ondas abrigam vários barcos de pesca e dá nome ao município. Do outro lado, grandes ladeiras levam até o mar agitado, com muitas pedras, formando as melhores ondas do litoral potiguar, num visual que remete aos secret points da Califórnia. Ao sul, a configuração também muda com praias desertas recortadas por dunas e morros cobertos de Mata Atlântica.

 

Quem se rendeu ao paraíso, meio que sem querer, foi o paranaense Ricardo Moss, descendente de família holandesa, nascido em Carambeí – PR. Ex-publicitário, já morou em vários cantos do país como Curitiba, Sampa e Floripa. Cansado da profissão, passou para uma vida nômade atrás do lugar ideal, tentando a sorte na área de restaurantes e pousadas. Quando conheceu a Ilha Grande, no Rio, abriu ali um Sushi Bar antes mesmo do presídio ser explodido.

 

Em Natal pensou ter achado o mapa da mina, tocando um grande restaurante, mas acabou vítima de um golpe do antigo dono do ponto do estabelecimento. Enquanto aguarda o dinheiro investido na justiça, Ricardo mantém uma simples pousada e restaurante na Baía Formosa, indicada por amigos. Mesmo reavendo a grana e seus direitos, uma coisa já tem certeza. Desse achado, não quer sair tão cedo.

 

Agradecimento: Ao único cyber café de Baía Formosa. O proprietário ficou de mandar a logo e os contatos da loja, mas até agora nada. Todo caso, valeu por ajudar a expedição!



Escrito por Jeferson Jess às 08h45
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Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.


Meu perfil
Jornalista e arquiteto de informação, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portfólio)


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