Lenis Maranhenses e surpreendentes

 

A desfigurada cidade de Tutia o porto maranhense para se conhecer o Delta do Parnaba. Cidade desorganizada, asfalto precrio, um pssimo carto de visitas do Estado. Sem falar nos vilarejos sofrveis que passei pelo caminho: Pirangi, Cana Brava, Barro Duro. Punk. No Maranho, o delta chamado das Amricas, s pra no fazer propaganda a Parnaba, que possui melhor estrutura e servios tursticos. Como estava de passagem, nem quis saber se perto dali existia algumas lagoas com dunas e guas transparentes. Tinha como meta chegar em Barreirinhas no mesmo dia.

 

Despedi-me do asfalto pegando dois paus-de-arara bem desagradveis pelo areio. O primeiro at Paulino Neves (uma hora e pouco) no foi to ruim, pois passava por povoados bacanas que distraiam um pouco a ateno. Um deles logo na entrada exibia uma placa enorme: Proibido circular de capacete nessa comunidade. O que contrariava o Cdigo Nacional de Trnsito era o medo daquela populao, marcado por um chocante assassinato provocado por um motoqueiro com capacete semanas atrs.

 

 

A parte mais roots da viagem foi de Paulino Neves a Barreirinhas. Duas horas e meia sacolejando num banco duro improvisado na caamba de uma caminhonete, passando por dunas e alagados numa estrada que no est no mapa. De Paulino existe um outro caminho que contorna os Pequenos Lenis e segue at o povoado de Cabur, entre o mar e o Rio Preguias. De l, partem embarcaes para Barreirinhas. Fui por dentro mesmo, direto para a cidade, porta de entrada dos Lenis Maranhenses, mas feia e revirada por obras, desapontando qualquer turista. Isso aqui vai ficar um brinco. Esto fazendo o porto com deck flutuante, ruas asfaltadas, a vila reorganizada. Tudo patrocinado pelos espanhis, que pretendem operar o turismo aqui em Barreirinhas, explica Pedro Pedrosa, proprietrio da agncia Off Road Adventure, uma das pioneiras da regio.

 

No dia seguinte fechei um passeio para conhecer o Parque Nacional, controlado pelo Ibama que permite visitar apenas meia dzia de lagoas, entre as 20.000 existentes em todo parque. Afinal so 50km por 70km de extenso, um gigantesco deserto alternado por lagoas de gua doce e cristalina. Mas nem todo ano assim. As lagoas surgem nas pocas de chuva que ocorrem durante o primeiro semestre. Partir de setembro elas comeam a secar, desaparecendo a maioria em dezembro. Um grande espetculo da natureza, que revela diferentes surpresas por trs de cada montanha, enchendo os olhos dos visitantes com paisagens arrebatadoras. S no mais surpreendente que o outro lado do parque, longe dos turistas de Barreirinhas, local escondido chamado de Canto do Atins... que voc descobrir no prximo post!

 

Servio:

 

Off Road Adventure (agncia de passeios tursticos)

Av. Joaquim Soeiro de Carvalho, 682-C Barreirinhas MA

Fone/fax: (98) 3349-0625

 



Escrito por Jeferson Jess �s 14h52
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Delta do Parnaba

 

Sempre achei que a cidade de Parnaba ficava as margens do famoso rio de mesmo nome. Errado. Tangenciado pelo afluente Igarau, Parnaba ainda sente os reflexos da decadncia econmica ocorrida a partir da dcada de 40, quando era o principal exportador da cera de carnaba. O ciclo da planta se foi, estradas foram construdas e o Porto das Barcas, que chegou a ser um dos portos mais importantes do nordeste, hoje est abandonado.

 

Nem mesmo a linha fixa de barco entre Parnaba e Tutia existe mais. Por causa do rio assoreado, das condies precrias da embarcao e por falha humana no episdio, o navio afundou j faz dois meses. Com isso, o novo ciclo do turismo que Parnaba tenta implantar sofre um grande revs, pois a linha era muito utilizada por viajantes que faziam o roteiro Lenis Maranhenses Jericoacoara.

 

Apesar de ser a segunda maior cidade do estado do Piau, Parnaba no possui casa de cmbio e pasmem, nenhuma agncia ou caixa do Banco Ita. Na cidade no faltam histrias de gente que ficou sem dinheiro por terem conta apenas num banco. Inclusive eu, que tive mendigar num posto de gasolina R$ 150 no carto de dbito. Quem chega na regio querendo conhecer o Delta do Parnaba, ter que se contentar com o passeio de um dia (40 reais em mdia) fazendo bate-volta at a foz do rio; ou gastar fortunas para conhecer de fato os canais e ilhas do delta, j que no existem passeios regulares sendo necessrio fretar as embarcaes.

 

O principal expoente do delta a Ilha do Caju, propriedade particular que atravs do marketing, conseguiu divulgar o local como santurio ecolgico, atraindo principalmente estrangeiros que no se preocupam em pagarem dirias acima de 200 reais por hospedagens rsticas.

 

Sem a linha para Tutia, sobra ao viajante independente fugir das agncias da cidade e ir ao vilarejo de Porto dos Tatus (11 km de Parnaba), negociando diretamente com os barqueiros sobre os passeios para outras ilhas e comunidades do delta. Com sorte, pode-se at conseguir encaixe nos barcos fretados para Tutia que s vezes saem vazios do porto para buscarem turistas do outro lado do delta. Se no, para continuar a viagem s mesmo pegando caronas ou judiados nibus que atravessam o serto por estradas cheias de buracos.

 

Diante das dificuldades acabei desistindo de percorrer o delta de barco, reservando foras e dinheiro para aproveitar o Rio Preguias, na regio de Barreirinhas MA. Mesmo assim, fiquei quase quatro dias em Parnaba, afinal perto dali acontecia o animado Correfolia. Por ser uma poca de frias, a maioria dos jovens de Teresina fogem para o litoral, transformando a festa num desfile de gente bonita, msica ruim e muita azarao.

 

Servio:

Hotel Nossa Senhora de Lourdes (onde fiquei acampado nos fundos, j que no havia vagas na cidade)

Rua Marqus do Herval, 517 Parnaba PI

Fone: (86) 3322-2667

 

Legenda: Porto das Barcas - Parnaba

 



Escrito por Jeferson Jess �s 16h24
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Dechavando em Chaval- CE

 

Sem dinheiro no bolso, numa vila encravada em meio a dunas, cheia de tentaes consumistas que dificilmente eu conseguiria resistir. Depois de apenas dois dias em Jericoacoara, tive que abandonar a agradvel acomodao do albergue para cair na desgastante estrada em busca da cidade grande e seus caixas de banco. Camocim, a prxima cidade do roteiro da expedio, tinha pinta de ser um grande centro da regio. Com certeza no faltaria l uma agncia do Banco Ita, onde guardo com segurana uns trocados. Para chegar no municpio de 60.000 habitantes, partindo de Jeri e sendo fiel ao mapa, s mesmo enfrentando 4 horas de estrada de cho, num pau-de-arara sinistro, capaz de deixar seqelas at nos viajantes mais roots. Mas longe das pginas dos guias da 4 Rodas est seu Carlinhos, o nico que faz o percurso pela praia, dependendo da mar do dia. Sua Toyota vai sempre carregada de gente, afinal pela praia a viagem dura pouco mais de uma hora e passa pelo interessante povoado de Tatajuba, grudado em dunas e lagoas. Essa comodidade tem um preo: 25 reais por cabea, deixando-me com apenas 1 real na carteira.

 

Tudo bem, j estava em Camocim. Passei pelo Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econmica e .... Putz, no tinha Ita. Tentei fazer uns esquemas nos outros bancos e nada. A soluo seria apressar o passo e seguir para Parnaba, a segunda maior cidade do Piau. Numa farmcia consegui descolar 50 contos passando o carto de dbito em troca de dinheiro vivo. O gerente muito esperto me comeu trs reais de taxa para fazer a transao. Ok... Usei a histria do banco para cavar uma carona num carro de lotao at a pequena cidade de Chaval, quase divisa com Piau. Junto comigo na caamba estava o ajudante do motorista, de olhos esbugalhados, denunciando uma ressaca daquelas. No demorou muito para o cara deitar sob o banco de madeira e apagar. A cada curva na estrada, seu corpo saa rolando no meio da galera, divertindo at o motorista. (continua abaixo)

 



Escrito por Jeferson Jess �s 15h44
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Almocei na pacata Chaval ao som das cabras que andavam pelo serto com sininhos presos no pescoo. No nordeste s fugir um pouco do litoral que a caatinga toma conta. A carne-de-sol refogada no abacaxi assado, com o velho e bom feijo com arroz, me deram foras para enfrentar o fritante calor da regio e tentar novamente mais carona. Achei uma sombra na sada da cidade ideal para ficar o tempo que fosse necessrio. Passava poucos carros naquela rodovia. Depois de meia hora sem sair do lugar, despertei a ateno de curiosos que moravam por perto. Um deles era meio pinl da cabea e veio conversar comigo. No falava nada, s resmungava, fazendo gestos indecifrveis e enchendo o saco. Tentei ser social mas logo mandei o cara sumir da minha frente. Em seguida, uma Hilux 3000, cabine dupla toda equipada, carro tpico de fazendeiros e playboys que no param no acostamento nem pra fazer xixi, passou em alta velocidade levantando poeira.

 

Como de costume, depois de um certo tempo de pacincia, comeo a xingar os carros que passam e no do carona. Uma terapia bem desestressante. No foi diferente com a Hilux, que para minha surpresa, parou l na frente e comeou a dar a r. Fiquei cabreiro com a situao, pois poderia estar voltando para tirar satisfaes dos meus palavres. Que nada! Na caminhonete estava um casal e um rapaz, donos da marca Greenish, famosa no nordeste pelos produtos surfwear e apoio de projetos esportivos. Em Jeri, j tinha visto um adesivo da marca com o slogan: Liberte-se da escravido mental, tirado de um hino do Bob Marley. Embarquei na carona ao som psicodlico de Ben Harper, que libertou a mente de todos numa grande celebrao da vida, mareado pela maresia da heresia. Dechavado e queimado alm de Chaval. A viagem (miragem) terminou na praia de Lus Correia, onde rolava um campeonato de kitesurf cheio de gatinhas e o Correfolia, carnaval fora de poca mais aguardado do Piau...

 



Escrito por Jeferson Jess �s 15h42
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Albergue de Jeri

 

O Jericoacoara Hostel, conhecido tambm como Pousada Tirol, oferece na paradisaca Jeri o conforto de uma casa de campo, com preo de albergue e qualidade de hotel. Localizado no centro do vilarejo, 50 metros da praia, possui quartos agradveis com varanda e rede, chuveiro quente, cofre individual, um super caf da manh incluso, alm de 10 minutos por dia de Internet grtis. Para quem quer economizar ainda mais, barracas com colchonetes instaladas debaixo de sombreiros podem ser alugadas por menos de dez reais por pessoa.

 

Servio:

Rua So Francisco, 202 Jericoacoara CE

Fones: (88) 3669-2006 / 3669-2351

www.jericoacoarahostel.com.br



Escrito por Jeferson Jess �s 23h43
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Objetivo da Expedi��o
Contornar todo o litoral da Am�rica Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a pr�tica deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Pr�xima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Sa�da de Curitiba, contornando todo o cone sul at� alcan�ar a cidade de Santiago, no Chile.


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Jornalista e arquiteto de informa��o, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portf�lio)


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