Caldeiro cultural

 

So Lus do Maranho um caldeiro cultural impressionante. A cidade dos azulejos nasceu francesa, foi invadida pelos holandeses, mas cresceu e prosperou portuguesa. Desse branco todo, misturou-se o ndio e uma grande quantidade de negros (o Maranho o segundo estado de maior comunidade negra do pas). Em cada esquina do Centro Histrico, ritmos e manifestaes de origens to distantes, surgem ao mesmo tempo em lugares to prximos, como se houvesse uma ligao oculta entre eles.

 

Na noite de sexta-feira, o tradicional tambor de crioula se apresenta numa pequena pracinha perdida entre as ruas de paraleleppedo e casares coloniais. Trazido das influncias africanas, essa dana sensual, excitante, praticada por mulheres negras especialmente em louvor a So Benedito, mas sem um calendrio fixo de celebraes. Aos homens, cabe a tarefa de conduzir a dana ao som de trs tambores, sempre em ritmo frentico e alucinante.

 

Descendo a ladeira da pracinha, chega-se a Rua da Estrela, com vrios bares e mesas na calada. Ponto de encontro de turistas, prostitutas, universitrios e baladeiros de planto que fazem ali o comeo da noite. Para acompanhar o chopp servido no local, MPB ao vivo num banquinho improvisado. Dobrando a esquina, uma muvuca se concentra em frente ao Bagd Caf, pista de dana eletrnica, que abriga um pblico bem diversificado. Praticamente ao lado, a banda Cruz de Metal se apresentava em plena rua, mandando um rock pesado e misturando as tribos na Praia Grande.

 

Enquanto isso, no Convento das Mercs terminava o festival folclrico de Bumba Meu Boi. Apesar do carter comercial, o evento fazia sua parte em divulgar a principal tradio maranhense para os visitantes. Longe dos lugares tursticos, o Bumba Meu Boi encenado principalmente na periferia, em comunidades distintas, no apenas na poca do So Joo. A morte do boi, por exemplo, um dos episdios mais esperados pelo pblico, ocorre entre julho e agosto. Para entender toda essa riqueza cultural, imperdovel no visitar a Casa do Maranho (onde est a histria do Boi) e o Centro de Cultura Popular (conhecido como Casa das Festas).

 

Pensa que acabou? So Lus conhecida tambm como a capital nacional do reggae, estilo musical muito difundido nas camadas mais baixas da populao local. O reggae chegou ao Maranho na dcada de 70 pelas ondas curtas de rdio, nos navios caribenhos que aportavam na cidade. At hoje os clubes mantm-se fiis ao reggae jamaicano, ignorando outras msicas do estilo que no sejam de raiz. Curiosamente, pelo fato do forr ser muito forte no nordeste, o chamego tpico do dois-pra-l, dois pra-c a coreografia bsica do reggae maranhense. Bar do Porto, Roots Bar, Night Day... no importa o pico e o jeito de danar. Em So Lus o que no falta positive vibrations!

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h38
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Solar das Pedras Hostel - So Lus

 

O albergue de So Lus est instalado dentro do Centro Histrico da cidade, num imvel colonial construdo no ano de 1840 e tombado pelo Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional. Foi totalmente reformado, restaurado e adaptado, mas mantm suas caractersticas originais, conservando o antigo, sem abrir mo do conforto moderno. Possui servios de lavanderia, Internet com banda larga, cozinha comunitria, telefone pblico, recepo 24h e uma localizao privilegiada. Com certeza, a melhor opo de hospedagem econmica na capital maranhense.

 

Servio:

Rua da Palma, 127 Centro Hist. So Lus MA

Fone / Fax: (98) 3232-6694 / 3221-7191

www.ajsolardaspedras.com.br

 



Escrito por Jeferson Jess �s 19h08
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Convento do descaso - So Lus - MA

 

Sexta-feira, manh em Barreirinhas. Depois de cinco dias na regio dos Lenis, chega hora de abandonar a cidade e seguir rumo a So Lus do Maranho, para aproveitar o final de semana na capital. O sol j castigava cedo, e nada de encontrar uma sombra perto da rodovia. Continuei caminhando, j longe do municpio, at descobrir um posto da Polcia Rodoviria. Estava exausto, tinha percorrido uns 5 km, fritando no asfalto. Um guardinha se aproxima e pergunta: Perdeu o nibus meu filho? No senhor, viajo de carona mesmo. T sem dinheiro ento? No, eu tenho dinheiro, mas eu gosto de viajar de carona respondi.

 

Desentendido, o guarda no perguntou mais nada. Mostrei minha carteira de jornalista e pedi para me ajudarem, se possvel, conseguir uma carona at So Lus. Pode deixar, disse o policial. Em segundos, o primeiro caminho que passou foi abordado pelos guardas; Fazia entregas de biscoitos Vitarela em mercadinhos e mercearias por todo Maranho. Estou indo para a capital. Antes vou pegar uns cheques em Rosrio, talvez demore um pouco, falou o motorista. Rumbora! retruquei.

 

Foram quase 300 km de viagem. Chegando prximo a So Luis, a vegetao se torna mais densa, com bastantes reas alagadas, clima abafado e muito mido. Muitos dizem que o Maranho um estado miservel, com os piores indicadores sociais do pas. Confesso que no vi nada de muito agravante comparado s outras regies do nordeste. Talvez mais para o interior, a coisa seja preta. Outra surpresa o fato que na capital, a famlia Sarney anda desprestigiada. Apesar da Roseana liderar as pesquisas para governadora na TV (a famlia dona dos principais meios de comunicao do Estado), em So Lus ela tem minoria nas intenes de voto.

 

 

Esse repdio pela manuteno da oligarquia que se mantm no poder a mais de 40 anos, veio tona num episdio conhecido como o Caso do Convento das Mercs, relatado at em livro-reportagem, vendido em quase todas as bancas da cidade. Fundado em 1654 pelo padre Antnio Vieira, o convento foi comprado pelo governo maranhense em 1904. Durante 80 anos, abrigou um quartel da Polcia Militar e do Corpo de Bombeiros. Quando Jos Sarney ocupava o Palcio do Planalto, o governo estadual gastou cerca de US$ 9,5 milhes na restaurao do prdio e depois o doou Fundao da Memria Republicana, mais tarde chamada de Fundao Jos Sarney, uma instituio privada que o ento presidente criou para preservar a memria dele mesmo.

 

Como se no bastasse a apropriao de um bem pblico, dentro do convento est um busto gigante do bigodudo. Pior est no ptio interno, onde um absurdo mausolu foi erguido por ele que servir como santo sepulcro no dia em que morrer. Atualmente a questo da legitimidade da Fundao dentro do convento est sendo discutida na justia. Numa entrevista para a Revista Carta Capital (nov/2005), Jos Sarney tentou explicar sua atitude personalista: Todos os museus presidenciais dos Estados Unidos tm local para mausolus. Posso ser enterrado l, posso no ser, no essencial. Seria um atrativo turstico. No futuro, at ponto de peregrinao. Tenho culpa de ter sido presidente da Repblica?

 

Legenda da 1 foto: Entrada do Convento, alugado para receber apresentaes de grupos folclricos durante o ms de julho.

 



Escrito por Jeferson Jess �s 13h44
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Lugarejos do Rio Preguias

 

Um dos passeios mais bacanas de Barreirinhas percorrer de barco o Rio Preguias, visitando seus povoados cheios de surpresas e peculiaridades. As agncias cobram de 40 a 50 reais pelo trajeto em voadeiras, com paradas prolongadas nas vilas, terminando a viagem em Cabur. J o barco de linha da prefeitura, mais demorado, custa 4 reais parando apenas para embarque / desembarque, mas indo at a comunidade de Atins, excluda da programao das agncias.

 

O alto do Rio Preguias apresenta uma mata ciliar exuberante e preservada, com diversos tipos de palmeiras e grandes rvores. Nota-se uma transio da vegetao com algumas caractersticas da regio amaznica. Localizamos at um jacar numa das margens. Depois de uma hora percorrendo o sinuoso rio, a floresta se transforma em grandes dunas, revelando o finalzinho dos Pequenos Lenis, lugar chamado de Vassouras. Pouqussimos moram ali. A vila se resume a dois restaurantes na beira do rio que funcionam como receptivo para os turistas de agncias. Todos condenados pelas dunas que a cada dia se aproximam mais.

 

 

Em Vassouras, piscinas de guas doces entre dunas se misturam com o visual do Rio Preguias. Local interessante para acampar e aproveitar mais daquele ambiente aprazvel. Como tinha decidido passar a noite no povoado de Cabur, continuamos o passeio at a prxima parada: Mandacaru. L, o farol de mesmo nome oferece ao visitante uma linda panormica da regio, com seus 35 metros de altura. possvel observar tambm a configurao da vila de Cabur, instalada numa faixa de areia entre o mar e o rio.

 

Cabur um lugar difcil de viver. O vento constante que vem do mar carrega a areia sobre as cabanas de palha, obrigando os moradores a mudarem de casa vrias vezes. Os restaurantes de alvenaria lutam contra a natureza para no perderem o investimento. Constroem cercas de conteno, mas a fora dos ventos parece implacvel. Acampei dentro de uma cabana abandonada com a areia do lado de fora quase a cobrindo por inteiro. No outro dia consegui carona para Atins, prximo a foz do Rio Preguias, com um barqueiro chegado no fumo do velho ndio. Junto comigo embarcou uma neo-hippie, que abandonou os bons empregos do Sul para tentar viver da venda de artesanato. Desci em Atins e ela voltou para Cabur. Queria s mesmo dar uma voltinha de barco.

 

 

Atins uma vila de pescadores muito pacata e de poucos turistas. Possui uma discreta fama de ser legalized com relao ao uso de ervas naturais. Personagem folclrico da regio, o maranhense Buna conheceu Atins quando ainda era caminhoneiro, 27 anos atrs. Por ali foi ficando, passou a viver da pesca de camaro e hoje administra a Pousada Rancho dos Lenis. O estabelecimento oferece diversos passeios, o principal deles para o Canto do Atins, sete quilmetros da vila, colado na imensido dos Lenis Maranhenses. A p, a caminhada dura cerca de uma hora e meia, pela estrada de areia e sob um sol muito forte. Esforo que valer a pena quando chegar ao famoso Restaurante da Luzia e provar sua maior especialidade: camaro grelhado.

 

Ao contrrio de Barreirinhas, ficando no Canto do Atins, voc tem acesso aos Lenis na hora que quiser, sem depender de excurses e veculos autorizados. E o melhor, sem cruzar com quase ningum pelo caminho, ideal para quem busca tranqilidade. De cima das dunas, as imagens da foz do Rio Preguias de um lado e o horizonte infinito de areia e lagoas do outro, fazem desse paraso uma experincia nica e transcendental para qualquer viajante que busca descobrir os Lenis Maranhenses por inteiro.

 



Escrito por Jeferson Jess �s 14h49
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Objetivo da Expedi��o
Contornar todo o litoral da Am�rica Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a pr�tica deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Pr�xima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Sa�da de Curitiba, contornando todo o cone sul at� alcan�ar a cidade de Santiago, no Chile.


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Jornalista e arquiteto de informa��o, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portf�lio)


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