A arte de pegar carona



 

A Expedição Carona Brasileira se despede da 3ª etapa com a foto do pôr-do-sol na Baía de São Marcos, voltando de Alcântara para São Luís do Maranhão. Nesse post, pretendo esclarecer algumas dicas e macetes para quem deseja cair na estrada de carona, reiterando um dos objetivos do projeto que é reativar e promover esse tipo de transporte alternativo em nosso país.

 

A ordem geral para o caroneiro é “não dar trabalho ao motorista”. Deve-se facilitar ao máximo a vida do condutor, para que ele possa te ver, parar e dar carona sem nenhuma dificuldade. Como? Veremos agora...

 

1) Viaje sozinho ou em casal. Carona já não é fácil, imagine então viajar junto com mais de duas pessoas e achar lugar para embarcar todo mundo. Sozinho você consegue encarar as caronas mais impossíveis, em lugares que às vezes mal cabe a mochila. Viajando em casal, a mulher desponta uma atenção maior do motorista, fazendo muita gente encostar. Já dois homens por exemplo, inibe o condutor solitário, que mesmo disposto a dar carona, não vai parar por falta de segurança, afinal no pensamento dele são 2 contra 1.

 

2) Se posicione no lugar certo. Na beira do acostamento o motorista precisa ver você. Para que isso ocorra com maior tranqüilidade, o trânsito tem que estar lento, devagar. Poucos têm a boa vontade de socorrer um viajante quando está correndo a 120 km/h. Deve-se procurar um ponto de redução de velocidade, como por exemplo: Cruzamentos, entroncamentos, trevos, após uma lombada, no posto da polícia rodoviária. Se nada disse tiver por perto, fique num ponto de reta, sem subidas, descidas ou curvas perigosas. Certifique-se que o acostamento é seguro, não tem buracos ou desníveis para o motorista parar.

 

3) Fuja da área urbana. Locais urbanos circulam muita gente, dando uma sensação de falta de segurança para o motorista. Muitas saídas de cidades apresentam periferias perigosas até mesmo para o caroneiro. Em cidades maiores a melhor coisa a fazer é pegar um ônibus para uma cidadezinha próxima, onde possa pegar carona com tranqüilidade.

 

4) Carona com mochila nas costas. Mesmo estando cansado de carregar aquela mochilona pesada, na hora de tentar carona é bom fazer um sacrifício mantendo ela nas costas, pelo menos na primeira meia hora de espera. O condutor que passa por você, acabada deduzindo que se trata de um viajante e não um malaco qualquer querendo aprontar alguma. O tamanho da mochila também ajuda a comover o motorista, pois muitos encostam para perguntar se está pesada ou precisando de ajuda. (continua abaixo)



Escrito por Jeferson Jess às 14h34
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5) Diga seu destino. Leve um caderno de desenho para escrever os destinos almejados, como se carregasse uma plaquinha. As caronas passam a ser mais precisas, deixando de fazer muitas conexões. Tome cuidado com o destino escolhido. Às vezes, em locais de pouco movimento, não é recomendado o uso da plaquinha, pois pode restringir demais as opções de carona.

 

6) Leve um bom mapa. Decore todas as ruas e cidades da região onde você está. É comum o motorista parar e dizer que só vai até o Cafundó do Leste, por exemplo. Se não souber onde ficam tais regiões, poderá perder caronas importantes e acabar não saindo do lugar.

 

7) Nunca fique parado. Se não está conseguindo ir pra tal lugar, tente uma cidade mais próxima, uma carona curta, ou um outro ponto de carona. Ficar muito tempo parado desperta olhares de curiosos e malandros, que sempre aparecem depois de certa hora, até mesmo nos lugares mais desertos.

 

8) Conte com a ajuda dos outros. Na dificuldade, procure um posto de gasolina ou da polícia rodoviária. Converse com os frentistas e policiais sobre tua carona pretendida. A maioria vai querer te ajudar. Quando alguém parar para abastecer por exemplo, tente uma abordagem direta. Por mais que seja constrangedor, fale o que pretende, seja simpático e educado. Em lugares turísticos, fique de olho nas placas dos carros que estão estacionados. Perguntes ao guardador, quais deles estão lotados ou com pouca gente. Seja cara de pau. Em cada quatro tentativas, uma dá certo.

 

9) Descole carona com antecedência. Chegando nos povoados e vilarejos, converse com o povo sobre as caronas que pretende fazer amanhã ou depois. Em lugares menores, todo mundo se conhece e é muito comum alguém lhe informar quem costuma ir para tal lugar com freqüência. Não é sorte e sim comunicação.

 

10) Esteja preparado para tudo. As caronas podem variar desde um confortável carro de passeio, com ar condicionado e tudo, até nas caçambas mais sujas de caminhões e sinistros paus-de-arara. Pegar carona é um estado de espírito! Sem humor e gosto pela aventura, dificilmente conseguirá viajar de carona com prazer, curtindo cada situação encontrada como uma nova experiência de vida. Mas cuidado! Depois da primeira trip com sucesso, você verá que pegar carona vicia e causa dependência...

 

Boa viagem!



Escrito por Jeferson Jess às 14h32
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Alcântara perdida e alugada



 

Um dos últimos dias da expedição foi reservado para conhecer a cidade de Alcântara, do outro lado da Baía de São Marcos, numa viagem de barco que durou aproximadamente 1h30. Como agosto é um mês de grande agitação marítima, não foram poucos os marinheiros de primeira viagem que passaram mal, tanto na ida como na volta...

 

Alcântara possui uma história tão fascinante quanto revoltante pela decadência que a cidade atingiu atualmente. Importante centro comercial e sede da aristocracia rural maranhense durante os séculos XVIII e XIX, Alcântara já fora importante antes mesmo de se tornar vila, servindo de base para os portugueses na expulsão dos holandeses em São Luís.

 

Com a fundação da Companhia de Comércio do Maranhão em 1682, as fazendas da região começaram a se estruturar, exportando arroz, açúcar, gado e algodão para o mercado inglês em plena Revolução Industrial. Para dar conta do recado, dez mil escravos chegaram a trabalhar nas fazendas. Tanta prosperidade econômica criou uma verdadeira aristocracia na cidade. As famílias abastadas pautavam-se pelas últimas modas inglesas e francesas, importando produtos e costumes. Os filhos dos senhores e barões iam estudar na Europa, formando uma elite intelectual que gerou governadores da província do Maranhão e representantes na Câmara e Senado do Império.

 

 

Muitas são as causas apontadas para o declínio econômico em que Alcântara mergulhou no final do século XIX, para nunca mais se recuperar: abolição da escravatura, evolução de técnicas agrícolas, exploração excessiva do solo, maior facilidade no transporte de outras regiões do país. As áreas das fazendas foram ocupadas pelos ex-escravos, que deram origem a muitos povoados ainda hoje existentes. O patrimônio histórico da cidade sofreu inúmeras baixas, desde o roubo de peças das casas por colecionadores e moradores até confisco de peças pelo Governo Federal em 1889.

 

Sobrou à cidade apenas um conjunto arquitetônico com mais de 300 prédios, muitos deles em ruínas. Os sobrados ainda exibem restos da antiga ostentação em sacadas de ferro, mirantes e azulejos portugueses. Na Igreja do Carmo, o altar-mor possui talhas douradas, características do barroco. Alcântara só lembra os tempos do passado quando no domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa), uma multidão vem à cidade celebrar a Festa do Divino Espírito Santo.

 

 

É comum encontrar em Alcântara a presença de muitos militares que trabalham no Centro de Lançamento de Foguetes, a 6 km da cidade. A base ficou famosa por causa da explosão da plataforma em 2003, matando 21 pessoas. Outro fato que ainda chama atenção na mídia é o suposto uso da base pelo exército norte-americano, que acaba impondo várias restrições até mesmo para pesquisadores e cientistas brasileiros. Além do passado perdido, Alcântara corre o risco de se tornar uma colônia americana em pleno território nacional. Uma das escolas já homenageia o novo mito: Unidade Integrada Presidente John Kennedy!  Agora só falta os ianques patentearem os gostosos docinhos de espécie, guloseima típica da região...

 



Escrito por Jeferson Jess às 19h02
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Enquanto isso, em Curitiba...



 

Paraná Clube despacha mais um e segue como vice-líder do Campeonato Brasileiro. A próxima rodada valerá o título do primeiro turno, já que a equipe paranista joga com o São Paulo, atual líder. Dá-lhe tricoloorrr!!!!

Ficha técnica: Paraná 1 x 0 São Caetano.

 

Foto: Divulgação (montagem sob o Estádio Pinheirão)

 

 



Escrito por Jeferson Jess às 21h33
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Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.


Meu perfil
Jornalista e arquiteto de informação, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portfólio)


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