Medo e delrio... (pt.2)

Primeira parada - Bairro da Tijuca Zona Norte RJ

 

 

No marquei bobeira e ca fora da rodoviria o mais rpido possvel. No quiosque de informaes tursticas uma mocinha simptica deu a dica dos nibus pra Tijuca. Linha 233 ou 234, no terminal do outro lado da avenida disse ela. Cheguei no ponto com o buso me esperando. Enrosquei-me na roleta por causa da mochila e com muito custo, sentei perto da cobradora.

 

- Sabe onde fica a praa Baro de Corumb? perguntei

- No sei no... disse a cobradora sem vontade. Ela perguntou para o motorista que tambm no soube explicar.

- perto de uma outra praa.. acho que Saens...

- Saens Pena? Passa l sim gritou o motorista, que tinha um bigodinho traioeiro, sempre muito simptico com as moas que entravam no bonde.

 

Mesmo assim no senti firmeza nos dois e fui perguntar pro povo enquanto percorramos as quebradas da Zona Norte. Gosto do Rio por causa disso. Todo mundo sempre muito prestativo. Se o cara no sabe, j pergunta pro companheiro do lado, que chama o amigo do fundo, que j puxa papo sobre outro assunto e por a vai. Logo descobri que deveria saltar dois pontos depois da Saens Pena. No demorou muito, era hora de descer. Fui em busca da casa da amiga minha. Passei por umas lojinhas italianas, de queijos e vinhos que me deixou impressionado.

 

Tijuca um bairro bacana. Talvez o mais nobre da Zona Norte. Encostado na Floresta da Tijuca, abriga prdios antigos e um forte comrcio. Shopping, McDonalds, metr, diversas linhas de nibus, ruas arborizadas. Se tivesse praia, diria estar em Copacabana. A Praa Baro de Corumb minscula, quase uma rotatria no cruzamento de duas ruas, contornada por prdios altos e uma igreja. O prdio mais charmoso era um pequeno edifcio, de quatro andares, antigussimo, sem porteiro nem garagem. Acho que nem nome tinha. Era onde minha amiga morava, a Rassa.

 

Conheci a Rassa por acaso, numa trip de carona quando passei pelo Rio em 2005. Nunca tivemos grandes conversas, mas sabendo que ela morava na cidade maravilhosa, fiz questo de manter contato pela Internet. Quando resolvi ir ao show dos Stones a qualquer custo, comecei a trocar uma idia virtualmente, at ganhar sua confiana e pedir hospedagem em sua casa. Para mim era mais uma aventura, j que podia muito bem ficar no apartamento do meu primo, que estuda medicina e mora a cinco anos no Rio.

 

Chego todo suado, carregando aquela mochila assustadora no meio da selva urbana quando aperto o nmero 301. O interfone no funciona. L em cima, na sacada, Rassa grita que est descendo. Logo surge ela, linda, loira, branca, de pernas compridas, usando apenas um shorts curto apertado e uma blusinha regata, que fazia aparecer sua cintura fina. Era seu pijama. Difcil acreditar que Rassa seja mesmo uma carioca. Branqussima, ela detesta mar e sol. Curitiba seria um lugar ideal para seu estilo de vida. Mas quando seus lbios revelam as primeiras palavras do encontro, no resta dvidas: o delicioso sotaque carioca legtimo e deixa qualquer um apaixonado. No aquele sotaque marrento, tipo do Romrio e outros malandros. Mas um sotaque natural, forte e inconfundvel, como se diz... da gema.

 

Rassa estava sozinha. Acabara de acordar. Mora com a me, mais uma irm e uma prima. Tomamos caf e conversamos sobre vrios assuntos. Quando deu 14h, ela precisava ir trabalhar, no Shopping Tijuca, como caixa de uma loja de brinquedos. Eu precisava ir atrs da minha credencial, mas prometi que iria ao fim do expediente busc-la no shopping que ficava prximo a Saens Pena. Meu primeiro passo era ir ao escritrio da assessoria do evento, l no Botafogo. Suava muito. Tinha colocado uma camisa social, cala e tnis limpo, tudo para passar a impresso de algum um pouco menos desleixado. O sol de fevereiro num dia de cu sem nuvens me castigava. Por um momento, queria mesmo era acabar com aquela farsa, ir direto para praia, tirar toda a roupa e cair no mar at escurecer... (continua mais alm)

 

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Escrito por Jeferson Jess �s 14h06
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Medo e delrio no Rio de Janeiro (pt.1)

Enquanto nada acontece - Dirio secreto dum show de rock, carnaval carioca e caronas absurdas - Baseado em fatos reais

 

 

Sexta-feira, dia 17 de fevereiro, 10h da manh. vspera para o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Acabo de acordar dentro do angustiante nibus da Viao Penha. Tinha sado de Curitiba 12 horas antes para conferir esse grande evento, na qual j pensava desde o ano passado. O buso entra na Av. Brasil congestionada. Imagino que toda aquela agitao j era por causa dos Stones. No banco da frente, um cara de cabelo comprido ensebado, aparncia anos 70, usando um culo escuro ray-ban falsificado. No lado dele um tpico ambulante, cara de nordestino, pequeno, dando trela para o papo furado do outro:

 

- Amigo, sou jornalista, j fui em muito show de rock. Vende uma camiseta por deizo pra mim? J vai chegar lucrando aqui no Rio! fala o cabeludo em voz alta.

- No tem como doutor, 15 a preta e 20 reais a branca. Ainda tenho que esperar chegar a mercadoria, mas se quiser a regata dos Stones posso fazer por 10 pra voc...

 

Mesmo no querendo saber daquela conversa amolante, acabei ouvindo que o cabeludo tambm era jornalista. Chamei ateno:

 

- E a velho... voc jornalista? pergunta bvia, mas direta, como se algum o interrogasse.

- Sou sim... -  respondeu com cara de malandro, ajeitando o culos e mascando um chiclete.

- Ah, maneiro, veio cobrir o show dos Stones?

- Sim!

- Trabalha para algum jornal de Curitiba?

- J trabalhei, mas essa parada um frila que peguei.. disse o cara, se enrolando todo, meio arrogante, como se jornalista fosse a profisso mais descolada do planeta, cheia de glamour, festas e fs dentro dos nibus de linha.

- Tem credencial? est era minha ltima pergunta com aquele infeliz. Dependendo da resposta saberia se o cara era profissional do ramo ou mais um picareta letrado.

- No.. eles iam conseguir uma pra mim, mas no sei o que rolou.. vou ficar no povo mesmo, junto com meu amigo ambulante aqui...

 

Para mim j bastava daquela conversa. O cara tava ali para curtir o show, posar de importante e ajudar a vender camisas. No que meu caso fosse diferente, mas estava empenhado em tentar cavar a credencial. Tanto que estava chegando um dia antes do show. Nem falei pro cara que eu era jornalista e desbaratinei olhando a paisagem pela janelinha do buso. J estvamos chegando no centro, passando por baixo da Linha Vermelha quando vejo em uma das colunas do viaduto os dizeres pichados: Carnaval obra do demnio. No caia em tentao em nome de Jesus Cristo. Assinado: Igreja no sei das quantas. Achei engraado. Afinal um lugar infestado pelo funk promiscuo, favelas e bocas de fumo s poderia ser mesmo uma Cidade de Deus...

 

11h chego na rodoviria Novo Rio, centro velho da cidade. Lugar j conhecido por mim de outras trips. Mas desta vez meu destino no era a elitista Zona Sul, mas sim o bairro da Tijuca, Zona Norte, nunca antes visitado. Para piorar, tinha perdido os nmeros das linhas de nibus que pegaria, indicao da minha amiga hospedeira. Mas estava tranqilo, tinha pelo menos o endereo. Estava viajando sozinho. Carregava uma mochila grande 60 litros, uma mochilinha ataque batizada de pra-quedas e um volumoso colchonete. Tinha pretenses de acampar na Ilha Grande depois do show, passando o carnaval todo l. Mas para isso, antes teria que atravessar o Rio carregando todo os bagulhos de acampamento: barraca, panela, alguma comida, drogas leves, roupas, etc. Descobri que boa parte da galera que tava no nibus tinha vindo para trabalhar no show. Um maluco descarregou vrias caixas de isopor do bagageiro. - pra vender bebida disse o cara.

 

T certo que a concorrncia com a galera dos morros cariocas seria grande. Mas a estimativa de um pblico superior a 1 milho de pessoas garantia comrcio pra todo mundo. Principalmente bebidas e muitas drogas... (continua mais alm)

 

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Escrito por Jeferson Jess �s 22h59
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Jim Morrison atuando em Hitchhiker

Entender o significado da carona para o poeta e cantor Jim Morrison to complicado quanto descrever sua obra frente ao grupo The Doors. Nos primrdios da banda, quando ainda estudava cinema na UCLA (tradicional Universidade de Los Angeles), Jim redigiu um script para seus amigos de curso visando a realizao de um filme. O ttulo era The Hitchhiker (O Caroneiro). Mas logo depois veio o sucesso do grupo,cheio decanes enigmticas e apresentaes explosivas, fazendo Jim esquecer o cinema por um tempo.

Aps o clssico concerto de Miami em 1969, Morrison voltou novamente a pensar em fazer filmes. Aproveitou os recursos que o seu nome agora oferecia e, inspirado no antigo script de Hitchiker, decidiu fazer a pelcula "HWY". Basicamente a histria de algum (Morrison) num carroguiando pelas estradas do Death Valley (Deserto Californiano), entrando em grutas sombrias, atropelando animais e fazendo acrobacias com automveis, alm de assassinar os condutores que lhe vodando carona.

A trilha sonora da produobeira o suspense, composta por rudos tribais e gemidos de bichos atropelados,juntamente com sons de tamboresao fundo. O filme chegou a ser exibido em alguns festivais na poca, mas era alternativo demais para ser comercializado em grande escala, alm de que, naquela altura, Morrison tinha se tornado uma ameaa para os Estados Unidos com seu comportamento imoral durante os shows.

Como se no bastasse o filme produzido e dirigido por Jim, o vocalista tentou diversas vezes expor seu pensamento filosfico sobreaprtica da caronaem suas canes. No ltimo lbum com The Doors, a clssica Riders On The Storm revela um trecho sobre "assassinos na estrada", provavelmente inspirado no cult"HWY". A cano seria ouvida mais tarde ao fundo na faixa The Hitchhiker, do lbum pstumo de Morrison, An American Prayer, aumentando o clima macabro do tema.

Recentemente foi a leilo a derradeira caderneta de anotaes do cantor. O livro contm cerca de 20 pginas, escritas mo, com reflexes, estrofes, letras demsicas e diversos poemas. Entre estes esto variaes de antigas obras, como o prprio The Hitchhiker, cheio de palavras misteriosas, como se viessem na carona de sonhos no mnimo perturbadores do autor. Um dos ltimos poemas escritos por Jim Morrison, o que o torna ainda mais instigante...

tell them you came and saw / and look`d into my eyes
and saw the shadow / of the guard receding
thoughts in time / and out of season
the hitchhiker stood / by the side of the road
and levelled his thumb / in the calm calculus
of reason.

Links:

- Script The Hitchhiker, 1965

- Filme HWY, dividido em vrias partes no YouTube

- The Hitchhiker, do lbum An American Prayer (letra e msica)

- Vrios poemas de Morrison

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Escrito por Jeferson Jess �s 21h43
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Passatempo

Est sem o que fazer na Internet? Gostaria de um passatempo tosco para matar o dia e ficar enrolando o servio do seu trampo? Ento d caronas para estudantes fazendo um verdadeiro caos. Buzine para chamar ateno dos estudantes com um crculo verde em volta e leve eles at seu destino. Tome cuidado para no ejetar sua carona com uma freiada brusca!

 

Para conferir esta tranqueira, clique aqui!

 

(Em tempo: acabei no indo pra Ilha do Cardoso -  tempo nebuloso, insights e bebedeiras programadas acabaram pesando na deciso)

 

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Escrito por Jeferson Jess �s 21h36
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Objetivo da Expedi��o
Contornar todo o litoral da Am�rica Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a pr�tica deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Pr�xima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Sa�da de Curitiba, contornando todo o cone sul at� alcan�ar a cidade de Santiago, no Chile.


Meu perfil
Jornalista e arquiteto de informa��o, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portf�lio)


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