Guia gringo para pegar carona



Um branquela ianque conseguiu passar por 50 capitais americanas em 50 dias consecutivos de viagem, só de carona! Para explicar a façanha, botou no YouTube um vídeo com seus métodos na hora ir de para o acostamento. Veja você mesmo...

 

 

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Escrito por Jeferson Jess às 23h25
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Cara e crachá no Rio (pt.4)



Artistas na areia de Copa - véspera do grande show

 

 

O clima de sexta-feira era contagiante e amistoso. Muita gente pela praia, sol forte, turistas de todos os cantos do planeta, maioria já com a pele queimada cor-de-rosa, tentando se interagir com os ambulantes preparados para a muvuca do dia seguinte. Nada parecia com o terrorismo pregado por alguns cariocas, que alertavam sobre possíveis brigas, roubos e violência no local do mega-evento. Papo meio chato, como se não bastasse a propaganda negativa da cidade que é oferecida diariamente pela imprensa.

 

No meio da Avenida, um cinturão de fotógrafos com suas pesadas teleobjetivas não tiravam o foco da janela do Copacabana Palace. Todos queriam o flagrante de um aceno, uma aparição qualquer de alguém da banda. Rapidamente descobri que a bendita credencial estava sendo distribuída na sobreloja do Hotel Excelsior, espaço alugado pela agência de comunicação.

 

Ana Paula trabalhava na assessoria. Era o único nome que lembrava para tentar uma nova negociação. Tinha feito contato com ela um mês antes para credenciar minha revista, mas acabaram negando o pedido. Acreditava que um corpo a corpo com a jornalista, quando o que vale é uma boa lábia e olhos nos olhos, poderiam talvez reverter aquela situação desfavorável.

 

Eu representava a Revista Bagagem, projeto de faculdade que teve apenas uma edição impressa. A revista de turismo abordava principalmente destinos mochileiros e cultura backpacker. Minha proposta de trabalho era fazer a cobertura do show dos Rolling Stones focando as peregrinações dos amantes do rock por todo o país. A Woodstock tupiniquim! Andarilhos carregando bandeiras estampadas com a língua de fora. Caroneiros do rock e suas mochilas cargueiras fedidas. Gerações mais velhas, cruzando o Rio com suas motocicletas customizadas. Traficantes disfarçados de hippies modernos, trazendo combustível para milhares de fãs que atravessavam a noite sem dormir, em loucas excursões movidas a orgias e bebedeiras.

 

Na sobreloja uma confusão para pegar as credenciais. Jornalistas de diversas nacionalidades estavam presentes. Apresentei-me a Ana Paula e disse que estava ali para trabalhar, independente da credencial. Mas se me ajudasse, poderia fazer um trabalho ainda melhor. Atormentada pela correria do movimento na sala, Ana mandou eu aguardar um pouco. Quando a sala deu uma esvaziada, entrou um jornalista argentino, querendo seu crachá.

 

- Desculpe amigo, teu nome não está na lista. Quem limitou as credenciais foi a produção internacional da banda. Lamento – disse o chefe da Ana, um cara de pouca conversa que já foi despachando o muchacho.

 

O gringo parecia ter uns 45 anos, cabelo gorduroso por causa do suor e usava uma ridícula camisa floral junto com bermuda curta. Tentou fazer um escândalo, mas foi alertado que poderia levar um mata-leão do segurança, parado ali na porta. O clima ficou tenso. Ana Paula chegou pra mim e disse para voltar no dia seguinte, às 15h. “Se sobrar uma credencial te dou, mas não posso garantir. Mais que isso não posso fazer por você”.

 

Resmunguei alguma coisa, me despedi dela e voltei para praia. Joguei minhas roupas num quiosque de bebidas e mergulhei no mar, afogando as últimas esperanças de trampar na área vip do show. (continua pt.5)

 

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Escrito por Jeferson Jess às 14h49
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Sensações de Copacabana (pt.3)



Terceira parte de um diário vencido

 

 

Meia hora no sinistro bonde, cruzando a Tijuca, Lapa e parte do Centro, chego ao bairro do Botafogo. Desci quase na frente da agência de comunicação que assessorava o show, um fundo de prédio escondido, pra não dizer um muquifo. O porteiro me olhou desconfiado e, com poucas palavras, tratou logo de acabar com minhas pretensões. “Tá tudo fechado. Acho que ninguém volta hoje pra cá”.

 

Fiquei decepcionado (deveria ter ido direto para praia pegar um sol), mas não desviei do meu planejamento. Diante de tantos jornalistas internacionais que estavam na cidade, era difícil imaginar a assessoria recebendo o pessoal naquele lugar obscuro. Com certeza, alugariam um escritório em Copa para causar uma impressão menos fuleira. Peguei o metrô até Copacabana para fazer um reconhecimento da área onde seria realizado o show. Duas quadras da estação Arco Verde, surge os fundos do Hotel Copacabana Palace, local de estadia dos Rolling Stones, da toda sua equipe e também de alguns turistas gringos milionários.

 

Fui caminhando pelo corredor de prédios até alcançar a beira-mar, acompanhado por um som forte de bateria e guitarras em transe que vinham do além. O barulho aumentava progressivamente a cada passo, ecoando dentro de mim arrepios e uma sensação de êxtase muito grande. Quando dobrei a esquina, parecia ter entrado num grande portal mágico, onde todos os sonhos se misturavam sob efeitos do sol forte e da água salgada, algo que nem um ácido de verão poderia fornecer.

 

Aquela acústica envolvente vinha dos roadies da banda, terminando a passagem de som sob o monstruoso palco montado na areia, em frente ao hotel. A produção tinha construído até uma passarela por cima da Av. Atlântica, ligando o palco ao Palace, para que a banda não tivesse nenhum contra-tempo com fãs e imprensa na hora do show. Atônito, demorei a dar-me conta que estava no Rio, no meio da multidão para ver uma das maiores bandas de rock do mundo.

 

Era um momento de extrema felicidade, que sempre me faz lembrar das pessoas que gosto, como se eu precisasse dividir aquelas sensações com alguém. No fundo, me sentia o pior dos egoístas sabendo que poderia compartilhar tudo aquilo, mas naquela hora estava ali sozinho. Pensamentos estranhos que só desapareceriam minutos depois ao tomar algumas cervejas... (continua pt.4)

 

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Escrito por Jeferson Jess às 20h56
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Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.


Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.


Meu perfil
Jornalista e arquiteto de informação, 25 anos, ainda morando em Curitiba, Brasil. (ver portfólio)


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- Guia gringo para pegar carona
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