EXTRA: Aquece para a quarta etapa!

Domingo, dia 10/12, a Expedição volta a cair na estrada para realizar um trecho da desafiante quarta etapa do projeto, prevista para o final do ano que vem. Será um roteiro de quase dois meses, entre Curitiba e a última praia na fronteira com o Uruguai. Além dos balneários badalados do verão sul, a trip tentará chegar aos vilarejos mais rústicos e primitivos, procurando se envolver com a comunidade, revelando barbadas e dicas de carona em cada região.
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Escrito por Jeferson Jess às 14h31
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Surpresa na sala de imprensa (pt.7)

15 horas. Fui correndo até o Hotel Excelsior, na Av. Atlântica. Não tinha esperança alguma de conseguir a bendita credencial. Já estava imaginando a Ana Paula balançando a cabeça dizendo que nada podia fazer, ao mesmo tempo em que dava um sinal para o segurança me tirar a força dali. Em troca, talvez mandaria ela se ferrar na área vip junto com o bando de jornalistas picaretas que entravam naquela sala: Contigo? Revista Quem? Caras? A maioria estava preocupada em cobrir a área reservada, lotada de pseudo-celebridades que mal sabiam dizer o nome de duas músicas dos Rolling Stones.
Atravessei o tumulto na portaria do hotel e subi até a sobreloja. Eu estava suado, vestindo uma regata suja vermelha e chinelo desbotado com os pés cheios de areia. Na sala de imprensa, Ana Paula carregava uma expressão alegre e feliz, que rapidamente desapareceu quando me viu. Pegou uma lista de nomes e se dirigiu a mim: “- Assine aqui!”, disse ela em um tom seco e com cara amarrada.
O nome da lista apontava para Luis Paulo Marinho. “Mas não tem problema assinar nesse nome?”, perguntei. “Mas você não queria a credencial? Se quiser é só essa que tem!”, disse Ana Paula, agressivamente. Não pensei duas vezes e assinei qualquer coisa na lista. Peguei o crachá, agradeci bastante e sai dali o mais rápido possível, antes que ela se arrependesse da traquinagem.
No corredor, respirei aliviado e conferi com calma a credencial. “Luis Paulo Marinho – Fotógrafo – Correio da Bahia”. Apesar da foto pequena, o cara nada se parecia comigo. Moreno, meio bronzeado, cara de sonso. Parecia fumar e beber bastante. Chamei o elevador que em vez de descer, acabou subindo até a cobertura do hotel. Quando a porta se abriu, deparei-me com uma piscina no terraço, contornada por mesas e cadeiras cheias de turistas abonados.
A vista de Copacabana lá de cima era incrível. Era possível ver a multidão se aglomerando na areia, prontas para o grande evento. No mar, várias lanchas, barcos e escunas disputavam o melhor ângulo para ver o show. Numa das mesas no terraço, estava uma senhora sentada com a filha gostosa e um irmão nerd. Por cima da mesa, o livro On The Road, de Jack Kerouac.
Fiquei ali por meia hora, puxando conversa com a velha roqueira, falando sobre Stones, caronas, Rio de Janeiro, drogas e anos 70. Aproveitei para tomar umas cervejas que viria na conta de alguém, provavelmente na dela. Como a filha gostosa não estava muito empolgada com a conversa, fiquei só mais um pouco até cair fora do hotel, antes que precisasse pagar alguma coisa. Usei a desculpa clássica de ir ao banheiro e voltei para a praia. (continua pt. 8)
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Escrito por Jeferson Jess às 15h08
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