Mestre Alborghetti esculhambando o litoral paranaense
Muita gente me pergunta sobre as praias do Paraná. Querem saber qual é a melhor praia, melhor noite, melhor ponto de mergulho (?), pousadas, dicas, etc. Por ser um dos menores litorais do país, a região é desconhecida pelo público de outros estados. Tirando a Ilha do Mel, famosa por carregar o slogan de paraíso ecológico (fora de temporada), o resto das praias recebe cotação mínima no Guia 4 Rodas, afugentando turistas de plantão para as belas enseadas de Santa Catarina.
É possível resumir em duas formas os problemas do litoral paranaense: natureza e estrutural. Olhando com atenção um mapa ou visualizando a região pelo Google Earth, nota-se que a faixa marítima do Estado está entre duas grandes baías contornada por mangues e rios lodosos. Junto com as características de um mar raso, aberto e com fundo de areia, a água torna-se escura o suficiente para espantar o visitante mais desinformado. Sem falar dos trechos poluídos de.. merda!
Não bastasse a natureza pouco privilegiada, a falta de estrutura básica inibe até os veranistas mais próximos que, mesmo tendo moradia na praia, pensam duas vezes antes de descer a serra. A começar pelo pedágio da BR-277, principal ligação entre Curitiba e as praias, que custa absurdos R$ 10,90 para automóveis. Nos balneários, falta saneamento e investimento contra enchentes. Em Matinhos, áreas destruídas pelas ressacas há mais de oito anos continuam do mesmo jeito, provando o descaso das autoridades com quem investiu na região.
A falta de transparência das administrações municipais, sempre envolvidas com suspeitas de corrupção, desanima os comerciantes a apostarem no litoral. O resultado é uma região fora de temporada quase morta, sem opções de entretenimento e de alimentação. No verão, surgem serviços temporários com qualidade duvidosa, amaldiçoando os turistas e as praias do Paraná. O resultado é um festival de imóveis e terrenos com placas de Vende-se e Aluga-se. O público antes formado por famílias, agora é o paraíso para farofeiros e excursionistas.
Solução
Bom, para consertar as praias e balneários é fundamental investimento. Sanear e tratar o esgoto, urbanizar vias e acessos, resolver definitivamente o problema das ressacas e criar atrativos. O maior deles que daria um boom para a região é a construção de uma ponte entre Caiobá e Guaratuba, eliminando o malfadado ferry-boat. Se quiserem salvar o nosso litoral, essa ação é prioridade!
Agora, para a região se tornar um destino consagrado, receber turistas selecionados, que procuram atrativos e serviços diferenciados, é necessário esquecer os balneários decadentes e focar apenas num grande potencial: o ecoturismo na região do Lagamar. As alternativas desse ecossistema, sua abrangência, problemas e soluções serão temas para um próximo post!
Pelo menos 18 praias do litoral paulista correm o risco de desaparecer nos próximos anos se a erosão não for contida, aponta estudo do Instituto Geológico de São Paulo, órgão ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente que monitora os 600 quilômetros da costa.
No litoral norte paulista, entre as praias com alto nível de erosão e que diminuíram de tamanho está Caraguatatuba, que perde três metros de areia por ano. No litoral sul, outro caso dramático é a praia do Gonzaguinha (São Vicente). Nos últimos 40 anos, "sumiram", em média, três metros por ano.
O aquecimento do planeta, a ocupação desordenada da costa (que não respeita o que os especialistas chamam de pós-praia) e a retirada de areia para uso em pavimentação e aterros sanitários são fatores que explicariam a diminuição das praias.
As soluções, segundo especialistas, passam pela mudança no traçado das avenidas e das estradas que "comeram" parte das praias, pela desocupação de imóveis irregulares e pela devolução da areia retirada.
A erosão não se restringe a São Paulo. Afeta, em maior ou menor escala, cerca de 40% dos 8.500 km da costa do país, diz Dieter Muehe, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenador da publicação "Erosão e Progradação do Litoral Brasileiro". Muehe atribui a degradação não só à ação humana mas também às condições climáticas dos últimos anos, com as sucessivas ressacas que atingiram a região Sul do país.
Desde agosto de 2005, houve quatro ciclones extratropicais --fenômeno climático que causa ressacas-- de intensidade extrema no Sul, afirma o meteorologista Eugenio Hackbart, da MetSul Meteorologia.
Foi numa dessas ressacas, no final do ano, que a praia da Enseada, a maior do Guarujá, sofreu prejuízo na ordem de R$ 2 milhões, com a destruição de quiosques, iluminação e parte do calçamento. "O que é do mar é do mar", resume o oceanógrafo Fabrício Gandini.
Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.
Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.