Carma de conquistador

Na volta de Superagui, enquanto esperava minha carona até as praias de Matinhos, fiquei bebericando no centro histórico de Paranaguá, observando os últimos movimentos do carnaval local cheio de personagens bizarros e promíscuos. À noite, os becos se multiplicavam, sobrando sombras nas esquinas marcadas a espera do desbravador que vem do porto. Lembrei da visita a um famoso puteiro da cidade, quando ainda trabalhava pela Expedição Coração do Paraná.
Percorrendo a Avenida Coronel José Lobo, que liga o centro até a zona portuária, é possível notar uma grande diferença entre as duas regiões. Prédios residenciais e bons restaurantes de um lado se transformam em armazéns fétidos, sujeira e boates sinistras no outro. Sabe aquele clima de romantismo noturno no cais do porto, nos trapiches, eternizadas nos filmes e literatura? Esqueça. A região obscura e de aparência abandonada fornece o ambiente ideal para cabarés à meia-luz, malandros, bêbados e prostitutas. Estivadores e conferentes podiam ser vistos em frente aos sindicatos da categoria, esperando pelo trabalho sujo do dia. O cheiro ruim tomava conta do lugar.
A boate mais agitada da região chamava-se "O Conquistador". Hoje talvez tenha fechado ou mudado de nome. Lembro que o lugar era dividido em dois ambientes. No primeiro ficava uma mesa de sinuca, o balcão do bar e algumas mesas. No interior, descendo alguns degraus, surgia um espaço para dançar, com muitas luzes, espelhos e música alta. O local funcionava como ponto de encontro, freqüentado por diversas garotas de programa que atendiam principalmente estrangeiros. Filipinos, gregos, indianos e taiwaneses eram os mais requisitados. Abaixo, os relatos e lembranças dessa noite perdida em perdições...
A garçonete Kalinka é considerada veterana no local. Ex-garota de programa, sua história se confunde com a grande maioria das meninas que entram para a prostituição. Falta de emprego, dificuldade na manutenção do filho, discriminação racial e violência sexual são situações comuns para essas mulheres. "Cheguei até apanhar de outras colegas, porque fazia programas mais baratos pra poder sustentar minha filha", conta Kalinka. Apesar da vida sofrida, a garçonete teve a chance de tentar a sorte fora do país, já que muitos estrangeiros vindos pelo porto acabam se apaixonando pelas meninas da boate. "Fiquei um ano na Áustria, morando com um marinheiro. Depois acabamos se desentendendo e voltei para Paranaguá".
A presença de estrangeiros no Conquistador é tão forte que quase todas as garotas falam pelo o menos o inglês como segundo idioma. As que não se encaixam no perfil da casa acabam procurando trabalho na rua ou em boates menos conhecidas. Os programas são caros, na média de 100 dólares. Muitas se recusam a sair com brasileiros. "Os homens daqui só querem saber de trepar, mas na hora de pagar dizem não ter dinheiro e acertam só a metade", conta a dançarina Cidinha. Ela também não esconde o sonho de ser resgatada por um príncipe europeu e ir embora do Brasil atrás de uma vida melhor. "Conheci um grego casado que deposita mesada pra mim todo mês. Ele disse que vai me levar para a Grécia quando tirar férias”.
Infelizmente, nem sempre o envolvimento afetivo com estrangeiros tende a ser confiável. A prostituição é parte de uma indústria milionária que pode envolver práticas ilegais e perigosas como turismo sexual, tráfico de mulheres, pornografia e trabalho escravo. "Quando resolvi voltar da Áustria descobri que o rapaz com quem eu ficava estava comigo apenas para aliciar minha filha", desabafa Kalinka. Mais um perigo para quem trabalha nessa profissão marginalizada, condenada muitas vezes de maneira hipócrita pela sociedade, já que quem fomenta o comércio do sexo é o próprio homem.
Posts relacionados:
- A ponta negra de Natal
- Velhas maneiras femininas de pegar carona
- Estrada da vida
Escrito por Jeferson Jess �s 12h52
[]
[envie esta mensagem]
[ permalink ]
[]
|
Bem-vindo à baixa temporada
O turista profissional Ricardo Freire colocou em seu blog uma agenda de sugestões para quem quer aproveitar a baixa temporada no Brasil. Um roteiro interessante, apesar das previsões meteorológicas já não serem tão acertadas em tempos de aquecimento global. Para os aventureiros de carona, faça sol ou chuva, a baixa temporada é ideal para uma trip de baixo custo, principalmente pelo litoral. Os “moturistas” de verão, que quase nunca dão carona, já retornaram para suas rotinas deixando a pista livre para caminhões e motoristas profissionais, ajudando bastante a vida dos caroneiros.
Na hora de descolar uma hospedagem, seja camping ou pousada, não existe mais aquela resposta na hora da pechincha: “Desconto? Haha... Desculpe, está tudo lotado... se quiser tem uma vaguinha no canto por $$$$$”. Sem falar das multidões que invadem as praias e rodovias, principalmente nas épocas de Reveillon e Carnaval. Barulho, sujeira, pessoas escrotas, farofa, frango, caos. É cada vez mais difícil achar um secret point no litoral que seja livre destas inconveniências o ano todo. E quem achou, guardou para si.
Posts relacionados:
- Tempos estranhos em Santa
- Lençóis, capital da Chapada Diamantina
- Jericoacoara - CE
Escrito por Jeferson Jess �s 23h36
[]
[envie esta mensagem]
[ permalink ]
[]
|
Clickarvore e o aquecimento global

O Fantástico de ontem mostrou uma matéria sobre o aquecimento global apontando iniciativas para neutralizar os efeitos do gás carbônico que o mundo não pára de emitir. Uma delas é o plantio de árvores. As árvores seqüestram o carbono impedindo que uma parte considerável do gás vá engrossar o efeito estufa. Mas para neutralizar essas emissões, teríamos que plantar 900 mil quilômetros quadrados de florestas a cada ano. Ou o equivalente a 10% do território brasileiro.
Parece uma tarefa impossível, mas com a ajuda da tecnologia e da comunicação, todos podem ajudar o planeta até mesmo sem se levantar da cadeira. Uma ferramenta interessante é o projeto Clickarvore, programa de reflorestamento com espécies nativas da Mata Atlântica pela Internet. Cada click no site do projeto corresponde ao plantio de uma árvore, custeado por empresas patrocinadoras. Os proprietários de terras interessados em receber as mudas também podem se inscrever no site e colaborar. Até o momento, já foram doadas mais de 8 milhões de árvores.
O Clickarvore é uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, o Instituto Ambiental Vidágua e o Grupo Abril, com patrocínio do Bradesco Capitalização. Não perca tempo e faça parte dessa campanha!
Posts relacionados:
- Delta do Parnaíba
- Uma baía muito Formosa
- São Miguel do Gostoso, por natureza
Escrito por Jeferson Jess �s 19h52
[]
[envie esta mensagem]
[ permalink ]
[]
|