Pongar, uma carona de criança

Crédito da foto: Aline Motta
Alguém já ouviu o termo “pongar”? Se você já passou dos 50 anos, é possível que sim. Para o Dicionário Aurélio pongar é subir no (bonde ou outro veículo) em movimento. Já para quem viveu esta prática, as lembranças são bem mais empolgantes que o conceito da palavra, como conta o blogueiro Cláudio Costa, de 58 anos.
“Na minha infância, tão reprimido quanto excitante era "pegar uma ponga". Nova Era-MG, cidadezinha debruçada às margens do Rio Piracicaba, era rota de caminhões cuja dimensão minha pequenez classificava de gigantes. Transportavam carvão vegetal, dia e noite, extraído das matas que restavam no Vale do Rio Doce. Queimava-se madeira como se matas e florestas não servissem para nada e fossem inextinguíveis! Ao reduzirem a velocidade, serpenteando pelas ruelas estreitas, ladeadas pelo casario colonial, ofereciam o momento certo: garotos, corríamos e "pongávamos". Por alguns minutos (ou será que eram apenas um flash de segundos?) as mãos minúsculas agarradas na traseira, balançávamos as pernas e soltávamos. Nas subidas íngremes, dava para estender a emoção por um tempinho mais, até que a dor nos vencia, ou o medo. Um pó preto tingia-nos as mãos. Às vezes, algum transeunte nos "passava um pito" ou, mais tarde, contava aos pais. Aí, era repreensão, admoestações e até castigos”.
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Escrito por Jeferson Jess às 19h19
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O turismo cemiterial

Turistas no Recoleta, Argentina
Como se sabe, este tipo de turismo não é novidade nos países do "velho mundo", porém, aqui no Brasil, só mais recentemente é que vem se tornando um segmento utilizado por agências organizadas.
A importância criada em torno dos cemitérios, a ponto de serem organizadas viagens e excursões só com o objetivo de conhecê-los, pode ser explicada pelo fato de que, desde os seus primeiros tempos na Terra, os humanos homenageiam seus mortos das formas mais variadas possíveis, conforme a cultura e os costumes de cada povo ou nação.
Muitas vezes, também, os cemitérios se tornam a única fonte confiável para os estudos da história da humanidade e são verdadeiros museus a céu aberto, arrolados nos guias de visitação das principais cidades, principalmente as européias.
Há muitos anos a França oferece visitas guiadas aos principais cemitérios de Paris. Dentre eles o mais importante é o "Pére Lachaise", conhecido por ser o mais visitado em todo o mundo e que recebe anualmente cerca de 2 milhões de visitantes provenientes de vários países. Lá estão os mausoléus de muitas celebridades, como o compositor Chopin, o escritor Moliêre, Oscar Wilde, Balzac, Marcel Proust, Modigliani e o cultuado poeta / cantor Jim Morisson.
Em Portugal os cemitérios são também surpreendentes, com obras de arte importantes em seus túmulos. Algumas "capelas” erguidas junto aos jazigos são tão grandes que podem ser confundidas com uma igreja de porte médio, dado o tamanho e a riqueza de suas construções.
O Cemitério do Alto de São João, um dos maiores de Lisboa e dos mais antigos do mundo, surgiu da edição de uma lei portuguesa que proibiu os túmulos montados dentro ou ao lado das igrejas, como até então era normal se fazer.

Túmulo de famosos no Pére Lachaise, França
Em Londres, também vale uma visita ao Highgate, que contém a sepultura de Karl Marx e foi construído no século 18 pela iniciativa privada, refletindo bem as idéias da aristocracia inglesa da época. Aqui, na América do Sul, o país líder no turismo de cemitérios é a Argentina. O cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, atrai milhares de pessoas pelos seus inúmeros monumentos e esculturas dignas de um grande museu de arte e pelo túmulo da grande dama Evita Perón, além de outros célebres artistas. É comum a visitação de pessoas da própria cidade, inclusive muitos estudantes.
Em São Paulo, onde o turismo de cemitérios é o mais desenvolvido do Brasil, muitas obras de arte formam estas verdadeiras exposições a céu aberto e que podem ser percorridas em vários bairros da capital e do interior.
O Cemitério da Consolação, o mais antigo da cidade, tem desde 2001 uma iniciativa para buscar o aumento do potencial turístico do local. O Projeto Arte Tumular, do Serviço Funerário Municipal, promove passeios monitorados, com grupos de no máximo 15 pessoas. São recebidos cerca de 300 interessados por mês atualmente para as visitas guiadas.
Quem procura artistas e outros personagens famosos mortos de várias partes do mundo, inclusive brasileiros, pode pesquisar no site Find a Grave onde eles estão enterrados e assim apreciar os túmulos e jazigos de pessoas importantes para nós e para a humanidade.
* Texto editado do artigo de Mara Inez Ludwig Valio, publicado no portal Girus.com.br
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Escrito por Jeferson Jess às 14h11
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