Cochilo em Cananéia

Cidade de Registro, véspera de feriado. A noite caía na rodoviária movimentada por bêbados, drogados, vendedores de espetinhos e outros seres da região que aguardavam os malfadados ônibus da Intersul. Estava cansado e com fome, pois tinha saído direto do trampo em Curitiba para tentar uma conexão até Cananéia. Junto comigo logo surgiram dois malucos carregando suas mochilas nas costas. O destino de todos nós era um só: alcançar a Ilha do Cardoso, lugar reservado e preservado no extremo sul do litoral paulista.
Em Cananéia, o bar Paredão abrigava outros viajantes que aguardavam a escuna das 6h00 pacientemente, bebendo todas e jogando conversa fora. Não era nem meia noite ainda, mas a chapação já dava um sinal de como seria o feriado. Saí pra dar uma volta na cidade histórica, imaginando que alguém fosse capaz de me oferecer um pouso confortável. No meio da madruga, quando a galera começou a capotar na rua para a alegria dos pernilongos, parti atrás de uma pousada, na idéia de aplicar um carteiraço desesperado.
Já na primeira tentativa, a pousada abordada estava escancarada, sem ninguém cuidando da recepção. Acionei a campainha, mas não obtive resposta. Não me intimidei com a câmera de segurança que gravava meus passos e entrei sem ser convidado para fazer um reconhecimento do local. Os quartos eram sobrados independentes com saída para o estacionamento. Em cima, funcionava um salão de jogos, bem quentinho e escuro. Tinha até um banheiro aberto. Armei meu colchão inflável debaixo da mesa de ping-pong e dormi umas três horas até o amanhecer. Saí sem cruzar com ninguém, pronto para encarar o navio pirata até a Ilha do Cardoso. (continua em breve)
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Escrito por Jeferson Jess �s 22h08
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