Ultimamente ando escutando muita música brasileira, samba-rock, ritmos nordestinos e sons de beira de estrada. Ajuda a enganar minha mente enquanto trabalho, levando meu inconsciente a viajar por um universo de lembranças bacanas. Mas sempre que busco na história alguma influência dessa fusão de estilos, re-avalio meu conceito sobre as bandas de hoje. Sorte dessa geração é contar com raridades exibidas na Internet e poder compartilhar esses conhecimentos com outras pessoas. Um grande exemplo de simplicidade, harmonia e imenso valor histórico é este vídeo dos Novos Baianos, extraído do filme N.B Futebol Clube, de Solano Ribeiro. Como diz os créditos finais: abaixo a ditadura cultural. Aumente o som e viaje tranqüilo.
Esta é a barca pra ilha! Ao som de pérolas do reggae, mais parecia uma maria fumaça. Tinha até nego fritando na proa. Para muitos, os golfinhos que apareciam na baía de Cananéia não passavam de alucinações. Não bastasse aquela maresia, bebidas de diferentes naipes abasteciam a tripulação. “São Cardosooooo!!”, gritavam os mais ansiosos, depois de três horas de viagem. No horizonte, a vila de Marujá despontava o início de uma nova trip, agora sob o barulho das ondas misturadas com cataia, forró, plânctons e muito vapor.
Enfio o pé no chinelo! Refrão do Baia grudava na cabeça enquanto virava camarão na praia. Ainda era sexta-feira, mas a leseira já parecia de carnaval. Pensei em encontrar várias surfetes paulistas no local, mas o que vi foi um festival de gente maluca e alternativa, delirando palavras sobre maconha, teatro, cultura rasta, maconha... Minha garrafa de Montilla limão era o passaporte para compreender o significado daquilo tudo. Para refrescar as idéias, nada melhor que pegar um jacaré na marola do mar!
Quando a noite caía, o apagão se tornava iminente. Depois das 23h os geradores eram desligados, deixando a ilha num breu místico e assustador. Toda a energia era voltada para o bar Lanchonete, onde uma boa banda de forró e samba-rock agitava a galera, numa levada bacana e contagiante. O percussionista por várias vezes entrou na roda do público, fazendo todo mundo girar a ciranda ao som de ritmos acelerados, transportando os mais extasiados para um ritual de passagem quase tribal. Estavam todos na mesma sintonia, fumando as mesmas ervas, transpirando amor e alegria, compartilhando emoções de uma ilha sem limites.
Nem tudo é festa nessa vida de andarilho. Diante de tanta loucura, as caminhadas ficaram mais difíceis e comprometidas. Sob um sol fervente de sábado, o máximo que cheguei foi até a praia deserta da Lage. Logo voltei para descansar, pois a noite chuvosa reservava infiltrações na barraca e companhias molhadas. Pena que faltou forças para conhecer os outros cantos do Cardoso, como a Praia de Foles e a Ilha Cambriú. Ótimos motivos para voltar a este paraíso novamente. Valeu Cardoso!
Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.
Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.