Travessia da Joatinga - Sono até Ponta Negra

Praia do Sono é um daqueles lugares que condiz perfeitamente com o significado do seu nome. A orla sombreada por amendoeiras, marcada pela areia fina branca e mar transparente, é um convite tentador para descansar e tirar uma boa soneca. Mas essa calmaria estava com os dias contados quando cheguei na praia, véspera do Natal, já com os nativos se preparando para receber um grande número de visitantes no reveillon. Nesta época o local é invadido por mais de 3 mil jovens, com suas pranchas, ervas e violões, deixando ninguém dormir direito no Sono.
A trilha de 1h30 até a praia foi relativamente tranqüila, mas meu tornozelo inchado e dolorido, vítima de uma entrada dura no futebol da empresa antes de viajar, estava me preocupando. Afinal, a parte casca grossa da travessia viria mais adiante, 6 horas de Ponta Negra até Martin de Sá. Como no Sono as informações sobre essa passagem eram contraditórias, no dia seguinte resolvi ir até a Ponta Negra sem minha bagagem, para conferir de perto as condições da trilha. A bonita caminhada passa pelas praias de Antigos e Antiguinhos, cercadas por morros que beijam o mar cheio de pedras, um cenário selvagem para qualquer bom filme de aventura.

Após 2h de pernada, o visitante é compensado com a incrível vista do alto de uma pequena enseada de águas cristalinas, encravada no meio de grandes montanhas. As cadeiras de plástico na areia denunciavam a existência de um bar e a possibilidade de tomar aquela breja para hidratar o corpo. Tinha chego na Ponta Negra, comunidade tradicional da região da Joatinga, abrigo para muitos pescadores de alto mar. Infelizmente, toda a beleza do lugar é ofuscada pelo córrego mal cheiroso que cruza o canto da praia, desvendando a falta de saneamento básico por ali. Debaixo do guarda-sol, encontrei uma galera de Santa Catarina que estavam no Sono fazendo os passeios com um bote inflável. Celebramos o encontro naquele lugar exótico tomando todas entre um trago e outro, deixando a maresia carregar os pensamentos que eram levados pela brisa do mar...
Escrito por Jeferson Jess às 00h33
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