Martim de Sá - Paraty

Continuando o post anterior, seguimos com as vertigens da região de Cajaíba em direção ao sul, alcançáveis por trilha que atravessa o vale sagrado no caminho para Martim de Sá. A subida até a passagem da montanha é desgastante e abafada pela falta de vento. Na trilha, a presença de muitos aventureiros com mochilas cargueiras e pranchas indicavam a esperança de ondas perfeitas do outro lado da montanha. Ao iniciar a descida, a vegetação antes seca e retorcida nos costões de Cajaíba, agora dava lugar a uma majestosa floresta úmida e densa. O vento que voltava a soprar trazia umidade do oceano, atingindo apenas um lado da montanha. Durante a passagem existe uma bifurcação da trilha para a praia da Sumaca, com uma enfática placa dizendo que lá vendia-se bebida alcoólica. Mas em Martim de Sá não! Deixei Sumaca para um outro dia e parti reto para descobrir o porque daquela restrição.

Por causa de matérias e reportagens sobre a praia, sempre entendi que Martim de Sá era habitada por apenas um morador, o famoso Maneco. Imaginava uma residência rústica, no meio da floresta, sem nenhuma regalia da civilização. Ao chegar lá, vi uma casa de alvenaria com restaurante anexo, quiosque de petiscos, área de camping lotada de barracas, tudo monopolizado pelo seu Maneco e família, que cuidam da praia, mas também não deixam ninguém ser vizinho por ali. Sobre a não venda de bebidas alcoólicas, seu Maneco diz que é para evitar confusão. “As pessoas começam a fazer bagunça de madrugada, perdem a educação, o respeito. Aqui é um lugar de tranqüilidade, para quem quer curtir apenas a natureza”. Mesmo assim, para os desavisados que trazem bebidas de casa, seu Maneco permite que seja consumida apenas na praia, longe do camping. Agora, se o visitante sair para comprar bebida no Pouso, uma placa bem na entrada da casa ameaça: “Nunca mais”!
Escrito por Jeferson Jess às 22h27
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