Subindo o Corcovado a pé!

Salve, salve, caroneiros de plantão! Depois de muitos dias de caminhada arrastando meu tornozelo estourado por trilhas íngremes e sol forte, deixei Cajaíba para compartilhar histórias e tentar descansar no Rio de Janeiro. Era hora de desarmar a barraca e deixar a mochila de lado para usufruir a hospitalidade da minha amiga Dete, carioca de Copacabana, onde meus planos mais radicais seriam tomar água de coco na praia e ver o movimento das garotas de Ipanema.
O que eu tinha esquecido é que o mochileiro curitibano Jonas e sua companheira andarilha também estariam no cafofo da Dete, loucos para subir e descer alguns morros pelo Rio. Logo que cheguei, fui convidado para acompanhar a dupla no dia seguinte até o Cristo Redentor. Pensei comigo que seria um passeio sem grandes esforços, onde pegaríamos o centenário bondinho do Corcovado, tirando muitas fotos lá de cima sem suar a camisa.

No dia seguinte, lá fomos nós de ônibus até o Cosme Velho, bairro onde partem os trenzinhos lotados de turistas rumo ao Cristo Redentor. O preço da brincadeira: R$ 36,00 por cabeça. Neste momento, o Jonas lembrou que ouvira de um amigo do vizinho da cunhada a existência na região de um transporte alternativo que levava o povão sem grana até o alto do morro por um preço mais justo. Começamos a bater perna pelas ruas próximas na tentativa de comprovar tal boato, até sermos orientados a subir por uma viela em direção a Estação Paineiras, onde lá teriam vans transportando a galera para o Cristo.
Começava ali uma emocionante subida pela Ladeira do Ascurra, passando de raspão por favelas do Cerro Corá e Imaculada Conceição. Na parte de baixo, casarões antigos com muros altos, quase todos com guarita para seguranças particulares e câmeras de vigilância, indicavam que a região não era das mais seguras. Passamos pelo Namastê – Rio, centro de meditação e terapias bioenergéticas que segue a filosofia do mestre indiano Osho. Vimos também um dos primeiros reservatórios de água do Rio de Janeiro, cercando o início do famoso Rio Carioca.

Depois de meia hora de subida, alcançamos a entrada de uma vila meio sinistrinha onde três tiozinhos com cara de malandros coçavam o saco na sombra. “Como vocês chegaram aqui? Alguém trouxe vocês?”, espantou-se um deles. Falamos que estávamos subindo o Corcovado a pé porque não tínhamos dinheiro. “Vocês tiveram sorte, porque tem uns moleques que costumam assaltar os turistas lá em baixo”, contou. Tiramos sarro dos caras, ameaçando os moleques e continuamos o perrengue sem dar muita bola para a conversa. Logo em seguida a ladeira terminava numa curva que voltava a descer morro abaixo. Só nos restou abandonar a estrada e seguir pelo trilho do trem!
Os trilhos cortam a maior floresta urbana do mundo: o Parque Nacional da Tijuca. Durante o trajeto, são encontrados vários personagens decorativos para distrair os visitantes, como animais e mitos do folclore brasileiro. A cada trem que passava, éramos alvos de flashes das máquinas fotográficas dos turistas, como se nossa presença ali, no meio do mato, fizesse parte do passeio. 40 minutos depois, chegamos exaustos no Largo das Paineiras, onde os visitantes estacionam seus carros e sobem o trecho restante de van por R$ 5,00. Para reanimar, uma turista viu a gente saindo dos trilhos e perguntou quanto custava o passeio a pé pelo caminho do trem. Paga cincão da van que te digo como faz! Rá!
Escrito por Jeferson Jess às 19h37
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