Carona... É a mochila nas costas É a falta de grana É procurar quem se ama É encontrar os amigos É o polegar estendido É ter rumo indefinido É ver lugares novos É estar perdido É confiar no destino É esperar o desconhecido É não saber ao certo É precisar de ajuda E não ter ninguém por perto...
Carona... É ver os carros passando É saber esperar É ver a luz de freio acender E ter a certeza de que vai chegar...
Carona... É o medo da noite e da chuva É o prazer da aventura É o medo da morte É acreditar em Deus e na sorte...
Carona... É um posto, um quebra-molas Um trevo, uma encruzilhada Uma curva, uma parada Uma carroça, uma bicicleta, um andante Uma lanchonete, um restaurante São os carreteiros amigos E a placa de papelão Um carro, uma moto, um caminhão É um marco em meu coração, Um abraço, um aperto de mão...
Carona... É a alegria de viver É ver alguém que espera sem saber É estar em paz consigo É se tornar amigo repentino É ser um estudante gaudério É carregar um mistério É ser bandido e perigo É minha alma Paraná É ter histórias pra contar, Lembranças pra chorar E pessoas pra amar...
Carona... É uma lembrança criança É não perder a esperança É a polícia rodoviária É uma paixão solitária São sonhos e acidentes Coincidências e pesadelos São os tempos meninos De ajudar sem interrogar De conversar sem motivos...
Carona... É sentir saudades É fazer amizades É ter a esperança de rever algum dia É caminhar pelas rodovias É estar só É estar livre É ver o mar É querer ajudar É rir e chorar São sentimentos extremos Estranhos pra se explicar...
Sábado passado, encontrei-me com mais dois amigos, Krause e Delano, para encaramos a histórica trilha de Itupava, centenário caminho calçado com pedras por escravos, aberto para ligar Curitiba a Morretes entre 1625 e 1654. Durante mais de três séculos os caminhos coloniais foram a única passagem da costa para o planalto, dando posteriormente origem às rodovias e ferrovia, que possibilitaram o desenvolvimento do Estado do Paraná.
No meio da caminhada cruzamos com os trilhos da ALL, chance ideal para abandonarmos a trilha em busca de algo mais radical e ousado: uma carona no trem, ou melhor, por cima dele, no melhor estilo Indiana Jones. Abaixo, no vídeo, um pequeno trecho sintetiza a aventura e a beleza do trajeto. No final, uma singela mensagem aos companheiros que desistiram dessa trip por qualquer motivo. Aumente o som e confira mais essa carona no currículo da galera!
O número de "lesmas" está crescendo nos subúrbios de Washington. É esse o nome dado àqueles que pegam carona entre a casa e o trabalho para economizar na condução. O que o motorista que dá carona leva em troca? Pode usar uma das pistas consideradas por lá de "alta ocupação", exclusivas para veículos com duas ou mais pessoas a bordo.
Essas pistas (conhecidas como HOV, high occupancy vehicle) existem em todas as grandes rodovias dos Estados Unidos. Adiantam a vida daqueles que viajam com um ou mais passageiros a bordo. São especialmente úteis em regiões como a de Washington, onde os congestionamentos são constantes.
Como a grande maioria viaja sozinha, as pistas HOV ficam quase sempre vazias. No horário de pico, o uso delas pode economizar até meia hora em uma viagem de uma hora e meia entre a casa e o trabalho. Foi da necessidade de alguns motoristas de encontrar caronas que surgiram os "slugs", ou "lesmas". Em geral os motoristas que pretendem conseguir ao menos um passageiro se dirigem a terminais de metrô ou de trens de subúrbio, onde encontram filas de quem pretende viajar de carona.
O que o "slug" ganha em troca? Uma boa economia em gasolina ou no dinheiro da passagem. Grosseiramente essa economia é de 10 dólares por dia. Como tudo nos Estados Unidos, a relação entre motorista e "slug" obedece a algumas regras. O carona não deve mexer no rádio, nas janelas, nem falar no celular. Para evitar intimidade, ninguém se apresenta formalmente. Os caronas devem evitar assuntos polêmicos: esportes, religião e política, por exemplo.
Como se trata de uma atividade informal, não existem estatísticas a respeito. Mas quem usa o "serviço" diz que as filas cresceram nas últimas semanas, desde que o preço da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou o equivalente a R$ 1,70 o litro. Tudo indica que há futuro para essas viagens compartilhadas por estranhos. E no Brasil, será que a idéia vingaria?
A previsão do tempo nunca foi tão convincente. O último feriado prolongado do ano seria de sol e um calor anormal para esta época do ano. Uma grande chance de calçar aquela havaiana desbotada e despedir-me do mar até reencontrá-lo possivelmente só depois do rigoroso inverno curitibano. Faltava apenas escolher um destino que reunisse meu conceito de lugar ideal: próximo de casa, com trilhas, natureza, ondas, mulheres bonitas e badalação. Fiz um lobby no trabalho para emendar a sexta-feira e parti bem cedo no dia anterior ao som de Sublime para descobrir os novos cantos e encantos de Florianópolis!
Praia do Moçambique
Longe da praia, a viagem também escondia um lado misterioso e sobrenatural. Uma amiga costumava se consultar com um curandeiro místico especializado em ervas em um vilarejo fundado por ele mesmo no interior de Santa Catarina, a 1 hora de carro de Floripa. O local, conhecido como Cidade da Esperança, incentiva a cura pela reeducação alimentar e tem na figura do Irmão Luciano, o poder de receber mensagens de anjo e ver a alma dos doentes. Luciano diz deter, através de um "dom divino", o fantástico conhecimento de exatamente 267 mil tipos de ervas. Com apenas 33% de visão no olho esquerdo, ele garante conseguir diagnosticar e encaminhar o tratamento para as mais diversas enfermidades. Nada que um chá de cogumelo com trombeta não resolva!
Os dois primeiros dias em Floripa foram dedicados as praias do norte da ilha. Fiz minha base na praia do Santinho, onde conheci um albergue recém-inaugurado com um ótimo preço para quarto de casal (35 pila). Os proprietários, que antes apenas alugavam a casa para turistas, estão adorando a nova proposta de poder receber viajantes de vários cantos e compartilhar histórias com cada um. Outro serviço bacana no Santinho é o restaurante Panela da Ilha, servindo buffet com comida açoriana à um preço justo e com uma vista pro mar impagável.
Canto sul da praia dos Ingleses
Aproveitei a tarde ensolarada para fazer a trilha até a praia do Moçambique, contornando o resort do Costão do Santinho. Pude observar a pesca da tainha do alto do morro, além de lindas paisagens da imensidão do mar. No dia seguinte, junto com a galerinha do albergue partimos para um tour pelas praias do norte, conhecendo picos como Ingleses, Praia Brava, Lagoinha, Canasvieiras, Jurerê e a Fortaleza São José da Ponta Grossa. Em Jurerê Internacional, domingo era dia de Ironman, competição internacional de triathlon, movimentando o bairro com mais de mil competidores.
Praia da Armação
No sábado fechei minha conta e parti para o sul encarar a trilha da praia da Solidão até o Saquinho. Trilha tranqüila, calçada, sendo uma boa idéia voltar lá de bicicleta. Ali perto, conheci a proposta diferenciada do albergue Bells Company, na Armação, que traz espaço para exposições, música e apresentações circenses. Ótimo ambiente para aproveitar o lado mais selvagem e pitoresco da ilha. Enfim, um feriado perfeito em todas as condições, muita festa a noite na Lagoa da Conceição, gente interessante, bebedeiras e pegação. Fui embora domingo acompanhado por um pôr-do-sol perto do Campeche, com a certeza de que voltarei em breve ao paraíso para quem sabe ficar definitivamente.
Salve, salve, caroneiros de plantão! Depois de muitos dias de caminhada arrastando meu tornozelo estourado por trilhas íngremes e sol forte, deixei Cajaíba para compartilhar histórias e tentar descansar no Rio de Janeiro. Era hora de desarmar a barraca e deixar a mochila de lado para usufruir a hospitalidade da minha amiga Dete, carioca de Copacabana, onde meus planos mais radicais seriam tomar água de coco na praia e ver o movimento das garotas de Ipanema.
O que eu tinha esquecido é que o mochileiro curitibano Jonas e sua companheira andarilha também estariam no cafofo da Dete, loucos para subir e descer alguns morros pelo Rio. Logo que cheguei, fui convidado para acompanhar a dupla no dia seguinte até o Cristo Redentor. Pensei comigo que seria um passeio sem grandes esforços, onde pegaríamos o centenário bondinho do Corcovado, tirando muitas fotos lá de cima sem suar a camisa.
No dia seguinte, lá fomos nós de ônibus até o Cosme Velho, bairro onde partem os trenzinhos lotados de turistas rumo ao Cristo Redentor. O preço da brincadeira: R$ 36,00 por cabeça. Neste momento, o Jonas lembrou que ouvira de um amigo do vizinho da cunhada a existência na região de um transporte alternativo que levava o povão sem grana até o alto do morro por um preço mais justo. Começamos a bater perna pelas ruas próximas na tentativa de comprovar tal boato, até sermos orientados a subir por uma viela em direção a Estação Paineiras, onde lá teriam vans transportando a galera para o Cristo.
Começava ali uma emocionante subida pela Ladeira do Ascurra, passando de raspão por favelas do Cerro Corá e Imaculada Conceição. Na parte de baixo, casarões antigos com muros altos, quase todos com guarita para seguranças particulares e câmeras de vigilância, indicavam que a região não era das mais seguras. Passamos pelo Namastê – Rio, centro de meditação e terapias bioenergéticas que segue a filosofia do mestre indiano Osho. Vimos também um dos primeiros reservatórios de água do Rio de Janeiro, cercando o início do famoso Rio Carioca.
Depois de meia hora de subida, alcançamos a entrada de uma vila meio sinistrinha onde três tiozinhos com cara de malandros coçavam o saco na sombra. “Como vocês chegaram aqui? Alguém trouxe vocês?”, espantou-se um deles. Falamos que estávamos subindo o Corcovado a pé porque não tínhamos dinheiro. “Vocês tiveram sorte, porque tem uns moleques que costumam assaltar os turistas lá em baixo”, contou. Tiramos sarro dos caras, ameaçando os moleques e continuamos o perrengue sem dar muita bola para a conversa. Logo em seguida a ladeira terminava numa curva que voltava a descer morro abaixo. Só nos restou abandonar a estrada e seguir pelo trilho do trem!
Os trilhos cortam a maior floresta urbana do mundo: o Parque Nacional da Tijuca. Durante o trajeto, são encontrados vários personagens decorativos para distrair os visitantes, como animais e mitos do folclore brasileiro. A cada trem que passava, éramos alvos de flashes das máquinas fotográficas dos turistas, como se nossa presença ali, no meio do mato, fizesse parte do passeio. 40 minutos depois, chegamos exaustos no Largo das Paineiras, onde os visitantes estacionam seus carros e sobem o trecho restante de van por R$ 5,00. Para reanimar, uma turista viu a gente saindo dos trilhos e perguntou quanto custava o passeio a pé pelo caminho do trem. Paga cincão da van que te digo como faz! Rá!
Expedição participa da inauguração do novo site da Stella Barros Turismo
Interação. Esse foi o tema mais comentado na inauguração do novo site da Stella Barros, que aconteceu dia 05/05 em São Paulo, com a presença de viajantes e profissionais de turismo de vários cantos do Brasil. Confesso que foi uma grande surpresa receber o convite para participar do evento através desse humilde blog, até porque nunca fui defensor das agências de viagens e dessa forma de viajar. Mais tarde entendi que se tratava de uma estratégia da empresa em convidar blogueiros para tentar se enturmar com as novas tendências da Internet, especialmente aquelas voltadas à Web 2.0.
De fato, o novo site da Stella Barros é um pontapé ainda meio tímido nessa área, mas que já oferece aos usuários um canal participativo dentro do seu portal com o Blog da Stella Barros, administrado com muita competência pela jornalista Patrícia Belloti. Outro serviço bacana inaugurado foi a implantação de um sistema que compara preços de passagens áreas entre as principais companhias nacionais. Apesar de sites como Submarino e Buscapé já terem lançados sistemas semelhantes, a Stella Barros tem tudo para se tornar referência nesse serviço por ser uma marca com história e maior credibilidade dentro do turismo brasileiro.
A mudança mais ousada no site foi a inclusão de um processo de e-commerce para os pacotes turísticos, oferecendo vendas on-line sem o intermédio do agente de viagens. Só achei a divulgação dos pacotes turísticos muito fraca. Por se tratar de produtos que precisam encantar os olhos do usuário e fazer com que ele viaje antes mesmo de ter reservado algum pacote, faltou mais informações e conteúdo multimídia sobre os destinos oferecidos. Uma boa idéia levantada no evento para futuras adequações no site é a exibição de opiniões, comentários e dicas dos clientes que já viajaram por esses pacotes, mostrando transparência e preocupação com o usuário.
Se no site a interação ainda deixa a desejar, durante o evento o que não faltou foi troca de experiências e conversas interessantes com os convidados. Pude conhecer blogueiros de várias regiões do país como o Maurício Furmiga de Sampa, contando sobre sua aventura em Cuba e no Haiti; a Fê Costta de Belo Horizonte no comando do Viaggio Mondo, o Anderson de Natal com seu Blogando Turismo e os gaúchos destemperados Diego e Diogo. Pena ter faltado tempo para conversar mais a fundo com outros blogueiros presentes. Com certeza, irão surgir outras oportunidades. Quando alguém vier para Curitiba, não deixem de dar um toque. No mais, desejo um grande abraço a todos os envolvidos no evento e que a Stella Barros tenha sucesso nessa nova fase na Internet!
* Quem tiver alguma foto bacana do evento me dêem um toque que publico aqui com os merecidos créditos.
Quando estamos em cima do muro para tomar uma grande decisão, observamos os acontecimentos em nossa volta para tentar encontrar algo ou alguém que ajude-nos a escolher um lado e pular com segurança. Ontem, conversando com um amigo determinado a deixar tudo para trás e tentar a sorte em algum canto do planeta, meio sem rumo e sem objetivo, recebi dele a sugestão de conferir o filme “Na Natureza Selvagem”, com roteiro adaptado da obra literária de Jon Krakauer. Perguntei se o filme era triste ou alegre, e ele me garantiu que de um certo modo traria mais felicidade do que tristeza.
Hoje, sob um frio londrino acompanhado por uma fina garoa, fiz questão de ir sozinho a pé até o cinema e assistir o filme recomendado. Diante dos comentários do meu amigo, imaginava ser um road movie empolgante ou romântico, que pudesse me contagiar na busca de novas histórias de acostamento e tomar atitudes sem tanta preocupação com o futuro das coisas.
Contrariando minha expectativa, “Na Natureza Selvagem” é um filme comovente e triste, que conta a história do jovem Christopher McCandless em busca de um propósito não muito bem definido de viver uma experiência autêntica de autodescoberta no meio do Alaska. O personagem se afasta voluntariamente do convívio em sociedade, trocando a humanidade pela natureza somente para ser derrotado impiedosamente por esta.
A intenção do filme não é mostrar McCandless como um herói contemporâneo ou exemplo de atitude para jovens revoltados contra a sociedade e o sistema. É apenas o relato de uma experiência de vida real, que mostra tanto o lado gentil e corajoso da pessoa, quanto sua faceta mais cruel e egoísta. Lamentavelmente, seu rancor desmedido pelo próprio passado (que soa como uma crise imatura diante dos problemas reais e gigantescos enfrentados por tantas outras pessoas) acaba tornando-o cego para o que há de bom em sua vida, transformando-o num jovem que leva tudo excessivamente a sério e sem criar raízes onde quer que seja.
Felizmente, a história de McCandless apresenta-nos duas importantes lições para a vida, que ajudaram a reforçar meus valores antes de eu tomar qualquer decisão precipitada. A primeira, é que para descobrir o verdadeiro sentido da vida, uma pessoa tem buscar a resposta por conta própria e que talvez a melhor forma de descobrir isso seja viajando sozinho, guiado apenas pelo seu instinto. Já a segunda, embora McCandless inicialmente pregasse que a felicidade não pode ser encontrada nas relações humanas, toda a trama do filme e o próprio personagem no final demonstram que este tão desejado estado de espírito só é real quando compartilhado com outras pessoas.
Objetivo da Expedição
Contornar todo o litoral da América Latina utilizando apenas a carona! Uma aventura que vai promover a prática deste transporte alternativo e resgatar o humanismo entre as pessoas.
Próxima etapa
Data ainda indefinida (depende de apoios e parcerias). Saída de Curitiba, contornando todo o cone sul até alcançar a cidade de Santiago, no Chile.